A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe, pediu autorização ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que seu cliente deixe a prisão para passar por cirurgia devido à piora de sua saúde. “Todos os novos documentos médicos que recentemente aportaram aos autos revelam significativa piora do quadro de saúde” de Bolsonaro, o que demanda sua “imediata internação hospitalar”, indicaram os advogados no pedido. Ao mesmo tempo, o Congresso avalia um projeto de “dosimetria” que pode aliviar sua pena.
Eles também pedem que o ex-presidente possa cumprir em casa sua sentença por razões humanitárias, como já haviam solicitado. O ex-presidente, de 70 anos, foi considerado culpado em setembro de ter conspirado para impedir a posse Luiz Inácio Lula da Silva após perder as eleições 2022. No fim de novembro, começou a cumprir pena de reclusão na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
Os advogados solicitam autorização para transferi-lo para um hospital de Brasília para seja submetido a duas cirurgias urgentes: um "bloqueio anestésico do nervo frênico” para tratar o soluço, e uma operação para reparar uma hernia inguinal. Segundo o boletim médico, ambas as intervenções requerem hospitalização de 5 a 7 dias e anestesia geral.
Bolsonaro, que estava em prisão domiciliar preventiva entre agosto e novembro, foi transferido para a Superintendência da Polícia Federal por "risco de fuga”, após ter danificado sua tornozeleira eletrônica com um ferro de solda. O líder da extrema direita brasileira permanece recluso em um cômodo pequeno com frigobar, ar-condicionado e uma televisão, e recebe visitas breves de seus filhos e sua esposa dois dias por semana.
O ex-presidente sofre sequelas derivadas da facada que sofreu durante um comício de sua campanha presidencial em 2018. Na petição ao relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes, os advogados enumeram as múltiplas cirurgias a que Bolsonaro teve que se submeter desde então, a última delas em abril.
Como consequência, Bolsonaro sofre refluxo e crise de soluço que lhe provocaram falta de ar e desmaios, segundo os documentos médicos. A defesa ainda espera a resposta de um recurso apresentado no fim de novembro para pedir a "nulidade” do julgamento. O STF já havia rechaçado de forma unânime um primeiro recurso e dado por encerrado o período para apelar novamente.