Política

Demóstenes admite que Cachoeira pagava seu celular

Parlamentar depôs durante cinco horas no Conselho de Ética do Senado

Demóstenes Torres depôs no Conselho de Ética do Senado
Demóstenes Torres depôs no Conselho de Ética do Senado Foto : ABr / CP
Durante cinco horas de sessão, o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) se defendeu das denúncias de tráfico de influência e falou sobre as relações com o contraventor goiano Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, em depoimento no Conselho de Ética do Senado, nesta terça-feira. Questionado sobre o aparelho Nextel que ganhou do bicheiro e no qual ambos conversavam, Demóstenes admitiu que Cachoeira era quem pagava a conta, de cerca de "R$ 50, R$ 30 por mês". O senador afirmou que não aceitou o telefone de presente do contraventor para escapar de ter as conversas interceptadas. "Não aceitei o aparelho porque ele não podia ser grampeado", disse o senador, ao ressaltar que, desde 1999, quando era secretário de Segurança Pública de Goiás, sabia que qualquer telefone ou rádio é passível de ser grampeado.

Demóstenes não soube precisar quando ganhou o presente do contraventor. Questionado se seria "estranho" ganhar o Nextel, o senador respondeu que não, "porque falava em qualquer lugar". "Hoje, eu jamais faria isso", observou ele. Demóstenes disse que logo após a prisão de Cachoeira devolveu "imediatamente" o aparelho para a esposa do contraventor, Andressa Mendonça.

"Vivo o pior momento da minha vida", diz Demóstenes

No início do depoimento, o senador afirmou que está passando "pelo pior momento" da vida diante do que classificou como "campanha sistemática" de "vazamento diário e permanente" de informações contra ele. "Devo dizer a Vossas Excelências que vivo o pior momento da minha vida. Vivo um momento que eu jamais imaginaria passar", contou. Demóstenes relatou que está deprimido, toma remédios para dormir, sem sucesso, e tem visto o distanciamento de amigos desde o final do mês de fevereiro deste ano, quando a Polícia Federal (PF) deflagrou a operação Monte Carlo, que expôs o elo com o contraventor Carlinhos Cachoeira.

Demóstenes nega envolvimento no esquema de Cachoeira

Demóstenes admitiu que tinha relação de amizade com Cachoeira, mas acreditava que ele, até a operação da PF, era apenas um empresário e não tinha relação com negócios ilícitos. Ele negou ter recebido qualquer tipo de vantagem proveniente de jogos ilegais. Afirmou ainda que “jogou verde” para o bicheiro ao mencionar uma operação de combate a caça-níquel. Em uma ligação telefônica, o parlamentar aparece informando o bicheiro sobre uma suposta ação da Polícia Federal e Ministério Público. Segundo o senador, essa era uma tentativa de saber se Cachoeira continuava envolvido em jogos de azar.

O senador também negou que seja "sócio oculto" da empresa Delta Construção, suspeita de integrar o suposto esquema comandado por Cachoeira. "O sócio oculto da Delta não sou eu. Se tem algum sócio oculto da Delta procurem com uma lupa maior aí, porque não sou eu", afirmou o senador.

O senador Demóstenes Torres é suspeito de manter ligações estreitas com o bicheiro e de ter usado seu mandato como parlamentar para beneficiar o suposto esquema comandado pelo empresário goiano. Cachoeira está preso desde 29 de fevereiro, acusado de ligação com jogos ilegais e de comandar uma rede de influência envolvendo agentes públicos e privados.

Com informações da Agência Brasil e Agência Estado

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