Política

Demóstenes diz que "jogou verde" com Cachoeira ao falar de operação contra o jogo ilegal

Parlamentar goiano apresentou defesa no Conselho de Ética do Senado

Demóstenes Torres dando sequência ao depoimento iniciado na manhã desta terça-feira ao Conselho de Ética do Senado
Demóstenes Torres dando sequência ao depoimento iniciado na manhã desta terça-feira ao Conselho de Ética do Senado Foto : Pedro França / Agência Senado / CP
O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), dando sequência ao depoimento iniciado na manhã desta terça-feira ao Conselho de Ética do Senado, afirmou que “jogou verde” para o contraventor goiano Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, ao mencionar uma operação contra o jogo ilegal. Em uma ligação telefônica, o parlamentar aparece informando o bicheiro sobre uma suposta ação da Polícia Federal e Ministério Público. Segundo o senador, essa era uma tentativa de saber se Cachoeira continuava envolvido em jogos de azar.

O senador ainda negou que seja "sócio oculto" da empresa Delta Construção, suspeita de integrar o suposto esquema comandado por Cachoeira. "O sócio oculto da Delta não sou eu. Se tem algum sócio oculto da Delta procurem com uma lupa maior aí, porque não sou eu", afirmou o senador. Na primeira parte do depoimento, Demóstenes disse desconhecer os negócios de Cachoeira e negou qualquer envolvimento. "Eu queria dizer às senhoras e senhores que todas as autoridades que atuaram nesse inquérito disseram textualmente que eu não tenho nada a ver com jogo", disse o senador.

O senador é suspeito de ligações estreitas com o bicheiro e de ter usado seu mandato para beneficiar o suposto esquema comandado pelo empresário. Cachoeira está preso desde 29 de fevereiro, acusado de ligação com jogos ilegais e de comandar uma rede de influência envolvendo agentes públicos e privados.

O relator do processo, senador Humberto Costa (PT-PE), sustentou em seu relatório preliminar, apresentado no dia 3 de maio, que Demóstenes entrou em contradição com relação à posição sobre a legalização de jogos no Brasil.
Hoje, Demóstenes negou que tenha votado a favor da legalização de jogos quando o Senado apreciou uma medida provisória sobre o assunto editada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Não estávamos votando o mérito. Tratava-se de matéria preliminar de cunho constitucional e acompanhei orientação partidária", explicou Demóstenes, que leu a relação dos demais senadores que votaram com ele, contra a urgência da votação. "Nenhum deles pode ser acusado de ter votado a favor do jogo", disse o senador.

Ao se defender da acusação de ter tentado influenciar ministros do governo e de tribunais superiores do Judiciário com pleitos de interesse de Cachoeira, Demóstenes confirmou a relação com os ministros citados no inquérito da Polícia Federal, mas negou que tivesse feito pedidos de interesse pessoal. "Fui a praticamente todos os ministro (do governo), ainda que sendo de oposição. Quase sempre a resposta era não. Entendi que esse era meu papel. Mas nunca com um pleito escuso", defendeu-se.

Com informações da Agência Brasil e Agência Senado

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