Política

Demóstenes nega participação em esquema de Cachoeira

Parlamentar goiano apresentou defesa no Conselho de Ética do Senado

Parlamentar apresenta defesa no Conselho de Ética do Senado
Parlamentar apresenta defesa no Conselho de Ética do Senado Foto : Wilson Dias / Agência Brasil / CP
O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) negou ter recebido qualquer tipo de vantagem proveniente de jogos ilegais. O depoimento foi dado durante sua defesa no Conselho de Ética do Senado, na manhã desta terça-feira. Ele leu trechos de inquéritos de delegados e procuradores que afirmam que o parlamentar goiano não tem participação em atividades ilícitas comandadas pelo contraventor Carlinhos Cachoeira.

"Os procuradores senhores delegados, procurador-geral da República e a subprocuradora podem até brigar, mas em um ponto eles convergem: eu jamais tive participação em qualquer esquema de jogos ilegais", disse. Demóstenes afirmou que deve explicação aos senadores, mas principalmente a sua mulher e seus filhos. Ele alegou que é prática comum dos parlamentares ouvir posições de grupos diversos sobre temas em discussão no Congresso Nacional, mas negou ter feito lobby durante seu mandato parlamentar a favor da legalização do jogo do bicho.

O senador rebateu acusações de que teria trabalhado em favor de projetos, entre eles, o relacionado a jogos de azar (PL 7.228/2002), a pedido de Carlinhos Cachoeira, preso por chefiar a exploração ilegal de caça-níqueis e outros jogos em Goiás. O parlamentar afirmou ainda que os senadores são a maior prova de que nunca defendeu a legalização do jogo do bicho. "Que lobbista sou eu que nunca procurei qualquer colega senador para aprovar jogo, para discutir legalização do jogo? Peço que eu seja julgado pelo que fiz, não pelo que falei", falou.

Sobre o uso do Rádio Nextel, Demóstenes afirmou que recebeu o aparelho por comodidade. "Eu não tinha lanterna na popa, o que eu sabia é que me relacionava com um empresário. Não tinha como adivinhar que o rádio era usado para outras finalidades", explicou.

Demóstenes admitiu que tinha, sim, relação de amizade com Cachoeira, mas não deu detalhes da atuação em defesa dos interesses empresariais do contraventor. Ele afirmou que está passando "o pior momento" da sua vida diante do que classificou como "campanha sistemática" de "vazamento diário e permanente" de informações contra ele. No início da sua exposição ao Conselho de Ética, Demóstenes disse que era "vítima da maldade".

"Devo dizer a Vossas Excelências que vivo o pior momento da minha vida. Vivo um momento que eu jamais imaginaria passar", contou. Demóstenes disse que está com depressão, toma remédios para dormir, sem sucesso, e tem visto o distanciamento de amigos desde o final de fevereiro, quando foi deflagrada pela Polícia Federal a operação Monte Carlo, que expôs sua relação com o contraventor Carlinhos Cachoeira.

O senador disse que, no período, teve de enfrentar a desconfiança de todos e, diante disso, pensou até em renunciar ao mandato parlamentar. "Se eu resisti até este momento, (é que) eu gostaria de responder aos senhores", afirmou ele, ao ressaltar que só está no Senado agora porque redescobriu Deus e readquiriu a fé.

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