Política

Depoimento de Cavendish é marcado para o dia 28

CPI decidiu pedir contratos da Delta com quatro estados e DF

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), marcou para o dia 28 o depoimento do ex-presidente da construtora Delta, Fernando Cavendish. A decisão ocorre na reunião desta terça-feira. Antes, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) havia cobrado essa data. “Nós já ouvimos o decorador da casa de Cachoeira e daqui a pouco vamos ouvir o psicólogo da atual mulher ou da ex-mulher”, ironizou.

Ele criticou a demora em marcar o depoimento do ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot, que se dispôs a falar na comissão, e dos ex-sócios da Sigma Engenharia e Consultoria Ltda. José Augusto Quintela e Romeno Marcelino Machado. A empresa foi incorporada pela Delta Construtora S.A em 2008. “Não estamos indo atrás de quem tem de vir nessa CPI”, afirmou.

O senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP) e o deputado Rubens Bueno (PPS-PR) também cobraram as datas. Segundo Bueno, a lógica de convidar o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) deveria ser usada também para Pagot, que se dispôs a falar na comissão. “Se vamos convidar um, vamos convidar o outro. Mantemos o equilíbrio e o respeito desta comissão parlamentar”, afirmou.

Lorenzoni também ironizou a afirmação da ex-mulher de Cachoeira, Andréa Aprígio, que disse diversas vezes não ter nada a ver com os negócios do contraventor. “Não tem nada a ver com ele, mas já o visitou mais vezes na prisão que a atual mulher. É um caso inédito, uma ex que faz mais visitas que a atual”, disse.

CPI decide pedir contratos da Delta com quatro estados e o DF


A CPI aprovou hoje por unanimidade 43 requerimentos de providências. Entre eles estão pedidos de informações de contratos da Delta Construções com os governos dos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins e do Distrito Federal.

Os deputados Miro Teixeira (PDT-RJ), Domingos Sávio (PSDB-MG) e o senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP) cobraram a ampliação das informações para todos os estados e municípios com contratos com a Delta.

“Estamos diante de um esquema bilionário, o maior da história da República”, disse Rodrigues. “É fundamental que façamos isso de forma plena para o que tiver de ser descoberto seja com o propósito de se recuperar o dinheiro do povo”, afirmou Domingos Sávio.

O relator Odair Cunha (PT-MG) discordou e disse ser necessário focar nos documentos com participação clara de Cláudio Abreu, ex-diretor da Delta no Centro-Oeste, e Carlinhos Cachoeira. Cunha disse que analisará na próxima reunião administrativa um requerimento formal solicitando a ampliação dos contratos da Delta em outros estados e também em municípios.

Primeira-dama de Goiás


Um dos requerimentos pede informações sobre recursos do recebidos e repassados a instituições de ensino pela organização não-governamental Organização das Voluntárias de Goiás do programa Bolsa Universitária desde o início do ano. Essa entidade é comandada hoje pela primeira-dama do estado, Valéria Perillo.

A princípio, o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) tinha solicitado a votação em destaque desse requerimento, mas retirou o pedido em troca da retirada da quebra de sigilo da ONG. O relator aceitou a proposta.

Valéria está pela segunda vez à frente da ONG. Entre 1999 e 2006, ela foi responsável por instituir o programa de bolsas para alunos carentes, do qual participa a Faculdade Padrão. Sigilos bancários obtidos pela CPI do Cachoeira revelam que a Faculdade Padrão, do empresário Walter Paulo Santiago, recebeu R$ 22,9 milhões da ONG.

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