Tão logo tomou conhecimento da ligação de Pozzobom com um dos sócios da Kiss, o presidente da Casa, Pedro Westphalen (PP), o substituiu pelo deputado Paulo Odone (PPS). "Entrei em contato com ele (Pozzobom) e juntos acordamos que sua permanência prejudicaria o bom andamento dos trabalhos, que têm que ser céleres e trazer resultados para a sociedade", disse Westphalen.
Advogado criminalista, Pozzobom defendeu um dos sócios da Kiss, Mauro Hoffmann, em um processo envolvendo a Absinto, uma outra casa noturna de propriedade do empresário, também em Santa Maria. Hoffmann está preso, aguardando o desenrolar das investigações. A informação, que derrubou o tucano, chegou a Westphalen horas depois da posse de Pozzobom. Ontem à noite, o tucano afirmou que só se manifestaria oficialmente em entrevista coletiva marcada para as 14h desta sexta-feira.
Natural de Santa Maria, Pozzobom perdeu um primo e alguns amigos no incêndio da boate Kiss. Da tribuna, era um dos parlamentares que mais apelava para que o episódio fosse apurado com seriedade e responsabilidade. 'Não podemos fazer desse episódio uma disputa política', frisava.
Para o deputado Raul Pont (PT), Pozzobom agiu incorretamente ao guardar silêncio sobre a sua relação com um dos envolvidos na tragédia de Santa Maria. "Nesta condição não é bom que o deputado presida. Acho que foi uma atitude correta do presidente Westphalen mexer na comissão", colocou. Para Pont, o certo seria Pozzobom ter se declarado impedido de assumir o comando da comissão.
A mudança na presidência da comissão pegou de surpresa colegas parlamentares. Valdeci Oliveira (PT), Alexandre Postal (PMDB) e Frederico Antunes preferiram não comentar o caso.