O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), afirmou nesta quarta-feira, que o governo teve uma derrota acachapante" na votação secreta dessa terça-feira que elegeu uma chapa pró-impeachment da presidente Dilma Rousseff para a comissão especial da Câmara que apreciará o impedimento da petista. Na eleição foram 272 votos para a chapa favorável ao afastamento da petista e 199 para a chapa governista.
Segundo ele, não surtiu efeito a ação do governo de distribuir cargos - "a sua marca mais forte" - para ter votos da base.
"Acho até que o governo, que ontem corria para (votar) o processo de impeachment, agora deve estar se acautelando para fazer as contas, porque não teve sequer 200 votos numa votação secreta. Imagine quando for numa votação aberta e o parlamentar tiver sendo pressionado pela sua base", disse Aécio, em entrevista no Senado. Para Dilma ser afastada pela Câmara são necessários 342 votos.
O presidente do PSDB disse não considerar que houve uma interferência do STF após a Corte sustar, por meio de liminar do ministro Luiz Edson Fachin, a instalação da comissão da Câmara. Após se reunir com o líder tucano na Casa e ex-procurador da República, Carlos Sampaio (SP), para conversar sobre a decisão do STF, ele afirmou que o partido entrará como "amicus curiae" (parte interessada) na ação que discute no Supremo o rito do impeachment o Legislativo.
Aécio destacou que há décadas a votação para a eleição de comissões é feita de forma secreta. Sampaio afirmou que o regimento interno da Câmara prevê essa modalidade de votação para impedir a interferência do governo em decisões internas do Congresso. "Há 20 anos qualquer eleição é secreta", disse o líder tucano.
Recesso
O presidente do PSDB repetiu a defesa de se antecipar, de 1º de fevereiro para 15 de janeiro, a volta dos parlamentares do recesso para discutirem e votarem o impeachment de Dilma. Ele disse que essa é uma posição de "equilíbrio" entre a posição inicial do governo - de não te recesso - e a da oposição - que defendia o retorno dos trabalhos só em fevereiro.
"Quando voltarem para o Congresso, os parlamentares estarão mais sintonizados com o sentimento do Brasil, que não é da permanência da presidente Dilma", disse o senador.
Derrota do governo na comissão foi "acachapante", diz Aécio Neves
Senador do PSDB não considera a decisão do STF, de suspender o processo, de interferência