Política

Dilma deve modificar ICMS para acabar com guerra fiscal entre estados

Presidente também anuncia linha de financiamento para projetos de infraestrutura

A presidente Dilma Rousseff deve aproveitar a reunião desta sexta-feira com os 27 governadores para tentar avançar na reforma tributária, modificando o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para acabar com a chamada "guerra fiscal". Ela também anuncia uma linha de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em valor superior a R$ 10 bilhões, para projetos de infraestrutura dos estados. A ideia é agregar os estados no "choque de investimentos" com o qual Dilma pretende minorar os efeitos da crise internacional sobre o crescimento do país. Não se espera grandes impactos no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano. Mas, como já admitiu o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, a crise deve prolongar-se por mais dois anos.

A área técnica preparava ontem a proposta de reduzir o ICMS nas transações interestaduais (em que o bem é produzido em um Estado e consumido em outro) para 4%. Hoje, essa alíquota é de 12% ou 7%, dependendo do estado. A queda da alíquota tornaria inócuos os programas de incentivo fiscal estaduais criados para atrair empresas, que geram a "guerra fiscal". O principal fator de atração é o desconto na alíquota interestadual do ICMS. Se ela cai, o benefício se torna menos interessante.

A mudança avança em um ponto comum a todas as reformas do ICMS que fracassaram nos últimos 20 anos: concentra a tributação do imposto no destino, e não na origem como é hoje. A alteração tornaria o tributo mais parecido aos impostos de valor agregado cobrados na Europa e nos EUA. Para que os governadores aceitem a mudança, o governo vai se comprometer a criar um fundo de compensação de perdas de arrecadação.


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