A presidente Dilma Rousseff encerrou sua participação no julgamento do processo de impeachment nesta segunda-feira, em uma sessão de 14 horas, pedindo "consciência" aos senadores no momento de votar. "Quando se faz exceções e se tira um presidente eleito sem crime de responsabilidade, esse ferimento será muito difícil de ser curado", afirmou.
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Dilma fez um pronunciamento ainda pela manhã e, em seguida, respondeu a questionamentos de 49 senadores, além de perguntas da acusação. Perto da meia-noite, o julgamento foi suspenso pelo ministro Ricardo Lewandowski, que presidente a sessão. O julgamento será retomado às 10h desta terça-feira.
Para o segundo dia do julgamento, estão previstos os debates orais entre acusação e defesa, que poderão fazer o uso da palavra por uma hora e meia, cada. Depois, os senadores poderão falar por até dez minutos – 56 parlamentares já se inscreveram até o fim da noite.
Após os discursos, o presidente do processo de impeachment, ministro Ricardo Lewandowski, deve apresentar um relatório resumido dos fundamentos da acusação e da defesa. Na sequência, haverá enfim a votação. Dilma será afastada definitivamente se a acusação receber 54 votos ou mais.
Dilma cita “outro tipo de golpe”
"É muito grave afastar uma presidente da República em crime de responsabilidade, mesmo que o impeachment esteja previsto na nossa Constituição", reforçou a presidente. "Não se trata de um golpe como aquele que nós todos sofreram ao longo da nossa juventude", definiu.
Dilma avaliou, ainda, que a pressão política contra o seu governo serviu para agravar a crise econômica. "Enfrentamos um processo que teve início com sobredeterminação da conjuntura política, que agravou um processo econômico", apontou. "Nesta área podemos ser capazes de fazer acordos e com eles recuperar de forma mais rápida a economia brasileira. Temos fundamentos sólidos", projetou.
Para a Dilma, a condução do processo de impeachment sofreu essa influência, podendo levá-lo a ser classificado de golpe. "A disputa situação e oposição é normal e vantajosa num país democrático, mas não tentar inventar crimes de responsabilidade onde não existem ou transformar a execução do gasto público num espaço de disputa ideológica sem consequências para o bem do país", argumentou.
Ao fim das considerações finais da presidente, senadores do PT e alguns pontos da galeria aplaudiram, apesar do Lewandowski pedir o silêncio por se tratar de um julgamento. Parte da oposição executou vaias, enquanto alguns optaram pelo silêncio.
Dilma pede consciência de senadores para evitar "ferimento difícil de ser curado"
Presidente encerrou sessão de 14 horas denunciando conjuntura política que prejudicou economia do Brasil