"Contrariando a prática do bom jornalismo, o Estadão não procurou a Secretaria de Imprensa da Presidência para confirmar as informações inverídicas publicadas na edição de hoje. Procurada a respeito da audiência, a Secretaria de Imprensa da Presidência informou ao jornal Estado de S. Paulo e à toda a imprensa que, no encontro, foram tratados temas administrativos e o convite à Rio+20."
Segundo o jornal, preocupada com o acirramento dos ânimos às vésperas do julgamento do mensalão, a presidente Dilma Rousseff disse que o governo não entrará na briga entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal. Dilma teria avaliado que a situação é perigosa, teria potencial de estrago que beira a crise institucional nas relações entre Executivo e Judiciário, e teria transmitido esse recado na conversa mantida nessa terça-feira com o presidente do STF, Ayres Britto.
O encontro durou uma hora e dez minutos, no Planalto. Embora petistas estejam fazendo desagravos públicos a Lula, a presidente teria ordenado silêncio aos auxiliares após falar com ele por telefone. De acordo com a matéria, a ordem seria blindar o Planalto dos torpedos vindos da CPI do Cachoeira e dos ataques de Mendes.
Nessa terça, o ministro do STF jogou mais combustível na crise ao responsabilizar Lula por uma "central de divulgação" de intrigas contra ele. Embora dirigentes do PT saiam em defesa de Lula, a cúpula do partido avalia que é preciso calibrar o contra-ataque, porque qualquer reação intempestiva contra o Judiciário prejudicaria os réus do mensalão. "Não acreditamos que Mendes nem nenhum integrante do Supremo esteja ligado ao crime organizado de Carlinhos Cachoeira", disse o deputado Jilmar Tatto (SP), líder do PT na Câmara. "A CPI não foi instalada para apurar possíveis desvios de conduta de ministros do Supremo, mas, sim, para desbaratar o crime organizado de Cachoeira. Quem alimenta esse tipo de polêmica quer desviar o foco da CPI e vamos dar um basta nisso, encerrando essa polêmica."
Mesmo ressalvando que não baterá boca com Mendes, o deputado André Vargas (PR), secretário de Comunicação do PT, achou "estranha" a versão do magistrado sobre o encontro. "Por que Lula iria falar com um ministro que foi indicado pelo PSDB e não com os oito que ele indicou?", questionou. "E por que Mendes só divulgou essa conversa um mês depois, às vésperas do depoimento de Demóstenes Torres no Conselho de Ética?" .