Política

Discussão do mínimo constitucional pauta audiência pública sobre LDO 2026

Debate na comissão de Finanças teve como foco a previsão do não cumprimento pelo governo do RS dos investimentos em Saúde e Educação em 2026

Audiência pública contou com time de peso do governo, mas baixa presença de deputados
Audiência pública contou com time de peso do governo, mas baixa presença de deputados Foto : Raul Pereira / ALRS / CP

Apesar do baixo quórum de deputados presentes, in loco, na audiência pública da Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa sobre a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, as discussões sobre o documento que determina as linhas para elaboração do orçamento do próximo ano teve como ponto central os mínimos constitucionais que o Estado precisa aplicar em Saúde (15%) e Educação (25%).

Segundo a LDO, a previsão para o próximo ano é de que o governo seguirá aplicando abaixo do mínimo em Saúde: 9,33%, “retirando as despesas controversas”, que são aquelas que não podem ser computadas, segundo a Constituição, como as contribuições com IPE Saúde e Hospitais da Brigada Militar. Os dados foram apresentados pela secretária da Fazenda, Pricilla Santana.

Mas, em apresentação, apontou-se que há “tratativas avançadas junto ao Ministério Público para que seja alcançado o percentual de 12% excluindo as despesas controversas”. Medida semelhante já foi feita entre o Piratini e MP envolvendo os investimentos em Educação, onde foi estabelecido um prazo de 19 anos para que o Executivo alcance esses números.

A iniciativa foi duramente criticada por parlamentares de oposição. Não só porque o governo não prevê, de fato, a aplicação do mínimo em Saúde em 2026, mas por ter, na avaliação de deputados, excluído o Parlamento dessa discussão.

“Nós fomos surpreendidos, nunca informados, de que o governo do Estado se afastou da Assembleia e fez um acordo com a Procuradoria-Geral do Estado sobre o tema Educação. Um dos temas centrais na discussão do orçamentária do Estado, que é Educação e Saúde, Eduardo Leite faz um acordo com Alexandre Saltz por fora da Assembleia”, repreendeu o deputado Miguel Rossetto (PT).

Ele complementou: “A LDO anuncia que o governador Eduardo Leite negocia hoje com Alexandre Saltz os 12% da saúde. Isso é competência da Assembleia e eu quero reivindicar aqui, como deputado, que os 12% da Saúde e que o orçamento de 2026 sejam discutidos aqui, não junto com Alexandre Saltz e Eduardo Leite”.

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Demais deputados do PT seguiram na mesma linha, ainda que menos incisivos. Admitindo que cumprimento do mínimo é um problema que perpassa governos, Stella Farias pontuou que quando Tarso Genro (PT) deixou o governo do Estado, em 2015, se investia 9% em Saúde, “mas passado 14 anos nada mudou”.

Partindo em defesa do Piratini, o líder do governo, Frederico Antunes (PP) relembrou que a questão do mínimo vem sendo enfrentada por outras gestões, “não me recordo, nenhum governo que não houvesse um apontamento do Tribunal de Contas de que deveria ficar atendo a um tipo de cumprimento constitucional como os 12% da Saúde”. Argumentou que o acordo “é um ajustamento daquilo que não foi uma condenação no órgão de contas do Estado e que não gostaríamos e queremos que seja”.

Incomodado com a ‘pessoalização’ de Rossetto ao afirmar que as negociações teriam sido realizados entre “Eduardo Leite e Alexandre Saltz”, Antunes afirmou: “é o governador do Estado e o Procurador-geral de Justiça”. O incômodo foi compartilhado com o chefe da Casa Civil, Artur Lemos, que afirmou: “esse acordo não foi feito entre duas partes, foi feito entre instituições e foi avalizado em uma ação judicial”.

A audiência pública antecedeu a votação da LDO na Comissão de Finanças, que ocorre nesta quinta-feira, a partir das 9h. A expectativa é de que discussões no mesmo teor sigam.