Política

Divergências no STF sobre impeachment de Temer são normais, diz ministro

Celso de Mello disse que normas jurídicas são nada mais do que interpretação

Divergências no STF sobre impeachment de Temer são normais, diz ministro
Divergências no STF sobre impeachment de Temer são normais, diz ministro Foto : Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil / CP
O ministro decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, considerou "normal no âmbito do Poder Judiciário" a divergência com o ministro Marco Aurélio Mello sobre o pedido de impeachment do vice-presidente da República, Michel Temer. Ambos, nesta semana, deram decisões contrárias sobre o assunto.

"É preciso saber quais são os fundamentos da decisão, às vezes há aparentemente uma contradição, um conflito interpretativo que é normal no âmbito do poder judiciário. As normas jurídicas nada mais são do que sua própria interpretação. Não temos uma situação que possa ser considerada atípica", afirmou o decano.

Ontem, Celso de Mello negou o pedido do deputado Cabo Daciolo (PTdoB-RJ) que solicitava a abertura de mais um pedido de impeachment de Temer, e o apensamento da denúncia contra o peemedebista ao processo que tem como alvo a presidente Dilma Rousseff. Um dia antes, Marco Aurélio determinou que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), instaure uma comissão para analisar uma outra denúncia contra o vice-presidente.

A decisão de um ministro não anula a outra, pois os dois casos foram analisados em pedidos distintos. Com isso, Cunha segue com o dever de cumprir a decisão do ministro Marco Aurélio até que o caso seja levado ao plenário da Corte. O ministro se comprometeu a dar celeridade ao caso e levar a discussão para julgamento pelo Colegiado. Até o momento, no entanto, a Câmara não apresentou recurso contra a decisão.

Um ministro ouvido pela reportagem sob condição de anonimato avaliou que a decisão de Marco Aurélio, no entanto, não se sustentará quando for levada ao plenário. Segundo o ministro, a Corte tem jurisprudência consolidada sobre a autonomia do presidente da Câmara para aceitar ou rejeitar denúncias contra autoridades do Estado, e que a medida de Marco Aurélio só serviu para criar "novo fato político".

Apesar de ter anunciado que vai recorrer da decisão de Marco Aurélio, Cunha decidiu acatar parcialmente a determinação do ministro do STF para ganhar tempo. Ontem, o presidente da Câmara enviou um ofício aos líderes partidários pedindo a indicação de integrantes para a comissão especial que analisará o pedido de impeachment do vice-presidente.