Eduardo Bolsonaro cita como "credencial" para embaixada pós-graduação não concluída

Eduardo Bolsonaro cita como "credencial" para embaixada pós-graduação não concluída

Porta-voz da Presidência afirmou que Itamaraty já tem documento para consultar EUA sobre deputado no cargo

AE

Eduardo fez vídeo em que afirma ter qualidades o suficiente para assumir cargo na embaixada

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O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) tem citado uma pós-graduação em Economia como uma das credenciais que o qualificariam para assumir a embaixada brasileira em Washington. O filho "03" de Jair Bolsonaro, no entanto, ainda não se formou, segundo matéria do jornal O Estado de S. Paulo. Falta entregar o trabalho de conclusão de curso, iniciado em março de 2016.

Em um vídeo que divulgou na sexta-feira passada, em seguida à manifestação do presidente da República de que poderia indicá-lo ao posto nos EUA, Eduardo fez a menção em seu currículo. "Sou formado em Direito pela UFRJ, advogado concursado, passei na prova da OAB, escrivão de Polícia Federal, uma pós-graduação em Economia, falo inglês, português e espanhol", disse.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Algumas razões que justificam a possibilidade da minha indicação para a Embaixada do Brasil nos EUA.

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A especialização é em Escola Austríaca de Economia, uma vertente do pensamento econômico liberal cujo maior expoente é o austríaco Ludwig von Mises. A pós-graduação lato sensu, que confere o título de especialista, é uma iniciativa do Instituto Mises Brasil em parceria com o Centro Universitário Ítalo Brasileiro, sediado em São Paulo. Eduardo fez parte da primeira turma. Seus colegas de turma se formaram em agosto de 2017, mas ele não.

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O parlamentar, no entanto, ainda pode concluir a pós-graduação. Ele recebeu mais tempo para apresentar uma monografia ou um artigo científico. Quem se forma obtém um título de especialista na Escola Austríaca de Economia. A reportagem enviou perguntas ao Instituto Mises Brasil sobre a situação de Eduardo no curso. A instituição confirmou que ele ainda não concluiu a pós. Procurado por meio de sua assessoria, o deputado não se manifestou. De acordo com um de seus professores, que preferiu não se identificar, o deputado era calado e tentava absorver e entender os liberais.

O curso procurado por Eduardo Bolsonaro tem atraído diversos deputados federais. Na turma que iniciou as aulas em 2019 há quatro: Tiago Mitraud (PSL-MG), Paula Belmonte (Cidadania-DF), Felipe Barros (PSL-PR) e Carlos Jordy (PSL-RJ). 

Consulta pronta

Nesta terça-feira, o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, afirmou que o Itamaraty já tem a minuta do pedido de "agrément" para consultar os Estados Unidos sobre a indicação de Eduardo para o cargo. Apesar de o presidente Jair Bolsonaro não ter indicado o nome do filho formalmente, o porta-voz disse que ele não considera opções para o cargo. Nessa terça, Bolsonaro afirmou que, da parte dele, "está definido" que Eduardo será indicado.

O presidente, no entanto, descumpriu a praxe diplomática internacional, que prevê o anúncio do nome indicado para ser embaixador apenas após o pedido de "agrément". A medida é uma consulta ao país sobre a indicação e, normalmente, é feita de maneira sigilosa para evitar constrangimento em caso de recusa do nome indicado.

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"O Ministério das Relações Exteriores já possui uma minuta da solicitação do agrément para o deputado Eduardo Bolsonaro. E, a partir da confirmação, da firma deste 'agrément', outros aspectos, outras ações haverão de ser desenvolvidas para a ida do deputado Eduardo Bolsonaro aos Estados Unidos como nosso embaixador", afirmou o porta-voz.

Sobre a análise da eventual indicação na Comissão de Relações Exteriores do Senado, Rêgo Barros disse que os senadores vão reconhecer a capacidade de Eduardo e avaliá-lo com "total abertura para aceitação do seu nome" para o posto. O indicado precisa passar por sabatina na comissão, que decide, em votação secreta, se confirma ou rejeita o nome. Independentemente do resultado, a indicação vai ao plenário do Senado. Para ser aprovado, o candidato precisa do aval da maioria dos 81 senadores. Só após a aprovação pelo plenário da Casa é que o presidente da República pode nomear o novo embaixador.


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