O primeiro encontro entre os candidatos ao Senado pelo Rio Grande do Sul ocorreu na tarde desta segunda-feira no estúdio cristal da Rádio Guaíba. Durante quase três horas, os postulantes ao cargo Beto Albuquerque (PSB), Ciro Machado (PMN), Júlio Flores (PSTU), Lasier Martins (PDT), Olívio Dutra (PT), Rubens Goldenberg (PRP) e Simone Leite (PP) debateram ideias principalmente sobre educação e a reforma política.
Os candidatos concorrem à uma única vaga do Rio Grande do Sul ao Senado. O mandato para o cargo é de oito anos. O debate de hoje foi composto por três blocos. Nas duas primeiras partes, os parlamentares fizeram perguntas para os oponentes de acordo com temas pré-estabelecido. No último bloco, os candidatos poderiam fazer questionamentos com assunto livre.
Educação
Beto Albuquerque: "Como admitir que um País como o nosso não tenha universalizado as creches infantis? Quero ir para o Senado pela universalização das creches. É uma vergonha ter dinheiro para tudo, inclusive a corrupção, e não ter dinheiro para isto. Acho que este processo colabora para o desenvolvimento das crianças".
Ciro Machado: "Sem educação não se chega a lugar nenhum. Às vezes não se tem capacidade para compreender certas nuances e situações. O fato de não termos aplicados recursos ocorreu por falta de vontade política dos governantes. Acho que a reforma política é a solução para resolvermos todas estas questões, inclusive a educação."
Júlio Flores: "É sabido que o Tarso assinou o pagamento do piso aos professores, mas até hoje vem enrolando esta questão. A reforma no ensino médio diminui as condições do filho do trabalhador para chegar bem ao mercado de trabalho. O que eu vejo é que o atual governo repete o mesmo projeto e deixa os professores penando".
Lasier Martins: "Como criar desenvolvimento ao Estado que tem a maior dívida do País, cerca de R$ 47 bilhões. Um Estado que decaiu tanto na educação e que não tem recebido todos os recursos que tem direito nesta área. O meu trabalho vai buscar mais igualdade nos recursos recebidos pelo Estado".
Olívio Dutra: "Tudo que se investiu na educação ainda é pouco, desde o tempo do Brizola, mas nunca se fez tantas escolas técnicas como no atual governo. É preciso recuperar a escola, dando reajuste aos professores, mas 76% ainda não é o ideal. Quero no Senado estimular este debate de ideias. Iniciativas que precisam ser estimuladas e reforçadas".
Rubens Goldenberg: "Na educação, esqueceram-se do ensino fundamental? Qual é a educação que vamos apresentar aos nossos filhos, que sequer vão saber a quem destinar os votos? Todos discutem dinheiro para educação e dinheiro para outras áreas, mas ninguém está preocupado com o ser humano".
Simone Leite: "Eu fui professora e conheço a realidade do trabalhador e das nossas escolas. Ele precisa ter uma remuneração condizente com a sua responsabilidade. Precisamos trazer o aluno para sala de aula. Aqui faltam professores em sala de aula e existem alunos que nem tiveram aulas de português".
Reforma Política
Beto Albuquerque: "A democracia brasileira precisa ser remodelada. Os governos demoram para responder, os políticos não prestam contas do que fazem. Os governos fazem sua mídia formal sem a devida participação. Sou defensor dos conselhos organizados, que criados por lei dizem quem pode representar a sociedade".
Ciro Machado: "Estas coligações que estão sendo feitas confundem a cabeça das pessoas. Governos perdem força na distribuição de cargos e verbas. Sou a favor da verticalização das coligações. Uma ligação com o governo federal deve refletir em âmbito estadual".
Júlio Flores: "A promiscuidade entre partidos ocorre pelas negociatas entre as siglas maiores. É um absurdo o que acontece e é preciso uma profunda reforma política. Defendo a redução dos salários dos parlamentares para R$ 3,5 mil e revogabilidade dos mandatos".
Lasier Martins: "Vamos cumprir um programa que foi feito harmoniosamente por todos. O PT está abraçado com Renan Calheiros, com Maluf. O Lula foi à casa do Maluf pedir apoio na eleição passada. Por isso precisamos de uma reforma política profunda. Haveremos de chegar lá".
Olívio Dutra: "Defendemos a tese do congresso unicameral, e isso foi impedido, mas eu entendo que era uma proposta para agilizar todos os processos. O eleitor vota no executivo e no legislativo; ele vota em um amigo, o que estilhaça a representação no Congresso. Isso mostra uma necessidade de ter a reforma política".
Rubens Goldenberg: "A reforma tributária e a reforma política não são uma vontade da classe parlamentar e aqui vem dizer que tem que ser feita. Onde estão os fundos de compensação? O que é preciso fazer é ter vergonha e não nos esquecer que estamos lidando com o ser humano".
Simone Leite: "Estamos propondo uma mudança na política, no âmbito do Senado. O PT hoje tem maioria no governo e não fez propostas. O governo está a serviço de partidos e da ideia de se perpetuar no poder. É por isso que nos dedicamos e nos colocamos à disposição para fazer parte de um novo momento da política".
Educação e reforma política dominam debate entre candidatos ao Senado
Necessidade de renegociação da dívida do Estado também foi discutida na Rádio Guaíba