4º bloco: Críticas fortes e ofensas dão o tom da última parte do debate

4º bloco: Críticas fortes e ofensas dão o tom da última parte do debate

Bloco final teve questionamentos livres entre os candidatos

Flavia Bemfica

Debate do Correio do Povo e da Rádio Guaíba ocorreu nesta terça-feira, na Amrigs

publicidade

O embate direto, as críticas fortes e até ofensas dominaram o quarto e último bloco do debate Correio do Povo, Rádio Guaíba e Amrigs, com questionamentos livres entre os candidatos.

O bloco começou tenso, com Rodrigo Maroni (Pros) questionando Manuela D’Ávila (PCdoB). Repetindo linha adotada em outras intervenções, Maroni disse para a candidata citar um defeito próprio, uma qualidade de Bolsonaro e responder se o ex-presidente Lula era inocente. Manuela declarou defender julgamento justo para Lula e para todos os brasileiros; e fez referência ao fato de o ex-juiz Sérgio Moro ter aceitado ser ministro de Bolsonaro. Disse ter vários defeitos, e a qualidade de trabalhar para superá-los. “É assim que nós, pessoas normais, trabalhamos ao longo da vida”. Maroni seguiu: “O que a gente questiona é o teu caráter. Tu mente, mente, mente”. Manuela replicou dizendo que Maroni forjou um atentado: “Isto para mim está além da falta de caráter. É relacionado a transtornos que levam a pessoa a cometer determinados crimes”.

Na sequência Gustavo Paim (PP) perguntou a José Fortunati (PTB) o que ele teria feito diferente de Nelson Marchezan Júnior (PSDB) na gestão da pandemia sob o aspecto econômico. Fortunati disse que o diálogo é essencial; e que está preparando uma equipe para enfrentar as pandemias da saúde, da crise econômica e da educação. Na réplica, Paim citou datas de decretos com medidas sucessivas de restrições e flexibilizações. “Nos primeiros decretos, em 18 de março, me coloquei a disposição de forma solidária, e sei que outros aqui também fizeram, e foram ignorados. O abre e fecha, a instabilidade, muita gente quebrou.” Fortunati aproveitou a deixa para assinalar a estabilidade como fundamental: “As pessoas não podem viver no sobressalto, no fecha e abre. O abre e fecha foi o que arrebentou a economia de Porto Alegre. A partir de 2021 não pode ser mais essa a lógica”.

Juliana Brizola (PDT) foi a seguinte a perguntar, e optou por Sebastião Melo (MDB), a quem questionou sobre projetos para mães que trabalham. Melo defendeu o início das creches noturnas. “Mas o tema não é singelo, o Conselho Municipal tem posição contrária. Na tréplica, Juliana usou de ironia, fazendo alusão ao fato de Melo ter passado a defender uma de suas propostas prioritárias. “Fiquei feliz, Sebastião, quando vi no teu programa de TV, que defendes, assim como eu, a creche noturna. Infelizmente é uma demanda de longa data e reflito porque isso não foi feito na gestão do Fortunati, quando eras vice. Mas agora, talvez, estejas enxergando com outros olhos a importância da mulher.” Melo rebateu no mesmo tom: “Querida deputada Juliana, eu não fui prefeito, eu fui vice. E o prefeito Fortunati era do seu partido. A senhora teve pouca influência no governo”.

Na pergunta seguinte, feita por Fortunati para João Derly (Republicanos), a temperatura baixou um pouco. Fortunati questionou sobre a concessão de microcrédito. Derly assinalou que o sonho pode se transformar em um pesadelo para aqueles que não possuem informações adequadas a respeito do sistema e voltou a citar a proposta de escola de empreendedorismo. Fortunati defendeu que o microcrédito não pode ser confundido com transferência de renda e destacou a importância do estabelecimento de um fundo garantidor. Na tréplica, contudo, os embates voltaram. Derly disse que aproveitaria o tempo para responder a Manuela “que me tachou de machista e misógino”. “O que ela acredita que seja crime eleitoral, a justiça disse que não é. A justiça entende que foi uma crítica. Eu em nenhum momento fui mal educado ou ataquei de forma machista.”

Melo foi o seguinte a perguntar, sobre segurança, para Valter Nagelstein (PSD). Nagelstein exaltou seu vice, que é da área da segurança, e repetiu seu projeto de um grande programa de planejamento familiar, que possui pontos polêmicos. “Temos meninas com 11, 12 anos, com criança no colo. Precisamos oferecer um método contraceptivo seguro. Na questão da segurança, reestruturar o combate, unificando as fiscalizações dentro da Secretaria de Ordem Urbana e Segurança Pública. Temos que preservar a família e o cidadão de bem.” Melo disse pensar que a “raiz do crime” está nas drogas: “Quero dizer que sou contra a liberação das drogas. Lugar de criança é na escola, na família, no turno inverso”. Nagelstein também aproveitou a deixa para mais ataques: “Temos uma candidata aqui que patrocina a marcha da maconha”.

O próprio Nagelstein perguntou na sequência, com mais embates. “Quero dizer que o Lula foi condenado em primeiro grau, foi condenado em segundo grau, foi preso e só está solto por liminar. Diferentemente de uma candidata que está aqui, se o Valter (ele mesmo) for prefeito, o Lula não estará em Porto Alegre em janeiro. Não é pessoa bem vida aqui. Quero perguntar ao Maroni sobre obras da Copa, por que não foram concluídas?” O candidato do Pros não respondeu. Usou o tempo para dar continuidade aos ataques à Manuela. “Tu foi preconceituosa com quem tem transtorno. Eu preferia ter transtorno do que ser tu.” Na réplica, Nagelstein alfinetou outros oponentes. “Olha, eu amo essa cidade. Mas tem candidato que não pode ir na Avenida Tronco, na Vila Cruzeiro, na Severo Dullius, porque as obras estão até hoje lá.” Maroni usou seu último tempo para mais críticas a Manuela.

Na pergunta seguinte o debate voltou a ter um momento mais acentuado de tensão, quando Fernanda Melchionna (PSol) perguntou para Marchezan. “Tu és o pior prefeito da história de Porto Alegre. Por que tu investiste mais em publicidade em 2019 (R$ 30 milhões) do que em cultura?” Marchezan devolveu: “Já vou responder para ti e para o lobo aí travestido de ursinho carinhoso. Sou o pior prefeito para os vigaristas, os sem-vergonha, os corruptos”. Na tréplica, a deputada disparou: “Se eu gostasse de corrupto eu estava no teu partido, que é o partido do Aécio. Amanhã é o dia do servidor público. Estamos falando de quem teve carreira congelada e confisco de salários e foi tachado de vagabundo. Mais vagabundo é um prefeito que nunca bateu ponto na vida, nunca trabalhou”, acusou. E Marchezan: “Quem nunca trabalhou aqui é tu. Trabalhou de quê? Aproveita e fala.” Seguiu-se uma altercação que precisou da intervenção do mediador.

Marchezan seguiu com o microfone, e perguntou para Juliana. De saída, alertou a deputada de que apesar de ela fazer “pegadinhas”, não iria se comportar da mesma forma. “O que pensas sobre um decreto que existia que dava a todos os professores um dia de folga? Quando chegamos, alteramos essa rotina.” Juliana usou o tempo para se dirigir a Melo. “Quando os feitos são bons, ele diz que liderou. Mas quando não, diz que não era prefeito. Ele chama por Ulysses, o MDB tem uma trajetória, mas nesta eleição ele deu uma guinada para a direita. O que ele é?” Para Marchezan, Juliana respondeu que sua crítica foi da falta de diálogo com a comunidade escolar e que respeita a forma de fazer política do prefeito. Marchezan citou dados referentes às creches comunitárias e rebateu declarações de Fortunati. Juliana finalizou destacando sua prioridade para a educação pública.

Com o debate se encaminhando para o final, Manuela perguntou para Melchionna sobre como enfrentar os temas do desemprego e do fim da renda emergencial já anunciado. Melchionna voltou a assinalar que o duplo benefício do auxílio emergencial para mulheres chefes de família foi resultado de uma emenda de sua autoria na Câmara dos Deputados e destacou ser coautora da lei Aldir Blanc. Aproveitou o tempo para responder a Marchezan sobre o embate anterior, chamando o tucano de prefeito playboy. “Porto Alegre não merece esse futuro ex-prefeito playboy e ele será derrotado.” Manuela, na sequência, usou sua última participação para pedir os votos dos eleitores. Melchionna terminou se apresentando como representante de uma esquerda renovada e solicitando a oportunidade de ocupar o Paço.

Na última intervenção, Derly perguntou para Paim sobre o contraturno escolar, destacando a possibilidade de parcerias com academias e escolas de samba e dança para a iniciativa. Paim começou a resposta se dirigindo a Marchezan. “Lobo em pele de ursinho. Não vou fazer comparação do Marchezan com o mundo animal porque o mundo animal não merece. R$ 30 milhões de reais em publicidade em um único ano: nunca antes na história de Porto Alegre. Verdades precisam ser ditas e respostas têm que ser trazidas. O eleitor precisa saber quem ele está escolhendo para prefeito de Porto Alegre”, afirmou. Derly terminou defendendo o contraturno e a prática esportiva. Paim fechou a participação dos candidatos falando sobre a administração que os porto-alegrenses merecem.  

Veja Também


Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895