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‘A nossa prioridade é a moradia’, diz Luciano Schafer, candidato da UP à prefeitura de Porto Alegre

Correio do Povo encerra a série de entrevistas com os quatro candidatos ao Paço Municipal que não possuem representação partidária no Congresso Nacional

Luciano Schafer é o candidato da UP à prefeitura de Porto Alegre
Luciano Schafer é o candidato da UP à prefeitura de Porto Alegre Foto : Ricardo Giusti

*Por Diego Nuñez e Rafael Renkovski

O Correio do Povo encerra a série de entrevistas com os quatro candidatos à prefeitura de Porto Alegre de partidos sem representação no Congresso Nacional. Em meia hora, Luciano Schafer (UP) fala dos desafios da sua candidatura e dos problemas da cidade. A seguir, os principais trechos.

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Quem é Luciano Schafer?

Morei boa parte da minha adolescência e nos últimos anos no Sarandi. É o bairro dos meus pais. Comecei a trabalhar aos 16 anos. Quando entrei na universidade, em 2013, conheci o MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas). Comecei a militar e, desde então, estou na luta para organizar o movimento. Em 2016, iniciamos o processo de legalização da Unidade Popular (pelo Socialismo, a UP), que se concluiu em 2019, e agora estamos apresentando as nossas candidaturas.

Como aconteceu o seu ingresso na política e o que representa esta candidatura?

O processo de legalização (do partido) foi por conta da atuação política dos outros partidos, que a gente não consegue ver nenhuma melhoria na situação dos trabalhadores. Então a gente percebeu que deveria, sim, lançar as nossas candidaturas. Nesse momento da majoritária, a gente viu que 90% dos eleitores não conhecem a Unidade Popular.

O senhor se apresenta como Luciano do MLB. Qual é o objetivo de trazer o movimento para o nome de urna?

Já são dez anos. Muito cedo, eu descobri o que representa o aluguel para as famílias brasileiras. Quando tinha sete anos, lembro de ver a minha mãe e a minha irmã voltarem para casa chorando porque tinham acabado de pagar o aluguel e a gente não tinha nada para comer. Quando conheci o MLB me mandarem para um congresso, em 2014. Vi as famílias que o MLB organizava no Brasil e falei: eu enxergo a minha mãe entre elas, eu vejo o Luciano entre aquelas crianças. O MLB, para mim, cumpriu esse papel e tenho certeza que para tantas outras famílias também vai. Falta de moradia é uma questão clara e a luta por esse direito é uma luta linda que a gente tem que seguir. Por conta disso, estou me apresentando como Luciano do MLB.

Quais serão as prioridades do teu mandato?

Prioridade é a moradia. Essa questão deve ser resolvida pelo prefeito. Porque mesmo que não tenha dinheiro para construir todas as 70 mil casas que faltam em Porto Alegre, a gente sabe que existem 101 mil domicílios vazios e que podem ser retomados. A gente sabe que a legislação permite a expropriação por falta de pagamento de impostos. E tem muitos prédios, da própria prefeitura, que estão abandonados. Mas tem outras questões. Acho que no transporte, desfazer a privatização da Carris é um ponto fundamental. Os postos de saúde que estão entregues aos hospitais privados. E a luta contra o fascismo. Esse pensamento, tem que ser combatido.

E na área da educação?

A gente sabe que hoje existem sete mil vagas para as creches. Mas falando de educação, o principal ponto é afastar a corrupção da secretaria. Tivemos um ou dois casos recentes, que é o dinheiro do povo sendo desviado para a corrupção. Acho que barrar a privatização das escolas, porque a gente sabe que estão acontecendo uma série de projetos, em todo o Brasil, que visam privatizar as escolas e achamos que a educação tem que ser fortalecida. Os professores precisam ser contratados e valorizados. E recuperar as escolas municipais.

E no caso da saúde?

A Secretaria da Saúde do jeito que está não sei nem se fiscaliza. Tudo está privatizado. O que a secretaria faz? Não deve fazer muita coisa. Acho que a secretaria precisa assumir a responsabilidade da saúde básica, principalmente dos postos.

O senhor vem do Sarandi, que foi atingido pelas enchentes. Como o senhor trataria essa questão?

Porto Alegre teve por muito tempo um departamento dedicado, exclusivamente, a isso: o DEP (Departamento de Esgotos Pluviais). Mas, por negligência esse departamento foi perdendo força e sendo escanteado. Agora, percebe-se o erro, porque chegou o momento da verdade. Teve uma enchente do tamanho que tivemos. Se permitir que pessoas vivam ali (no Sarandi), a gente tem que fazer a devida manutenção. Esse é um problema constante porque sempre alaga.

Como se posicionar numa eleição com as limitações?

A gente tem condições de apresentar o nosso partido e os nossos movimentos. O mais importante é o que a gente sempre fez, que é organizar o povo. Claro que o voto é muito importante e queremos, sim, fazer uma votação expressiva para termos condições de tensionar ainda mais o processo político. A gente tem crescido. Se não for agora, vai ser ali na frente.

No dia 6 de outubro, não sendo eleito e haja um segundo turno, pretendes declarar apoio a outro nome?

Em 2022, também apresentamos um candidato à presidência da República e esse debate do segundo turno foi resolvido depois do primeiro. A gente vai manter essa mesma posição.

Se o senhor for eleito, ao final dos quatro anos, quando o Correio do Povo foi fazer uma matéria sobre essa gestão, o que gostarias de ler na manchete?

O povo de Porto Alegre retomou o poder.