Eleições

Aliados de Juliana já consideravam derrota

Imposição da união, baixa adesão dos proporcionais e esgotamento da estratégia sobre diálogo e herança política preocupavam parceiros

Candidata reconheceu derrota pouco depois das 20h de domingo, na sede do comitê central
Candidata reconheceu derrota pouco depois das 20h de domingo, na sede do comitê central Foto : Alina Souza

A derrota de Juliana Brizola (PDT) ainda no primeiro turno da eleição estadual passou a ser considerada como ‘provável’ por integrantes da coalizão que ela liderava há cerca de 10 dias, quando tanto pesquisas internas quanto públicas começaram a indicar uma estagnação da candidata nas intenções de voto. Apesar disso, de público, todos seguiram apontando que a corrida não se encerraria na primeira fase, e que a pedetista tinha lugar garantido na segunda, mesmo que numericamente atrás do opositor.

Tão logo as urnas foram abertas, o provável virou certeza. Políticos experientes da coligação trabalhista logo entenderam o significado da vantagem expressiva da largada do adversário Luciano Zucco (PL), em sintonia com o desempenho de candidatos também vitoriosos ao Senado, à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa.

Todos conheciam as dificuldades da aliança encabeçada pelos pedetistas, a começar pela imposição da união, determinada pelas direções nacionais do PDT e do PT. Juliana arrancou investindo forte na imagem de herdeira do ex-governador Leonel Brizola, que já lhe havia conferido bom desempenho na eleição para a prefeitura de Porto Alegre, em 2024. Mas, no decorrer dos meses, a tática mostrou ter um teto. Ela também estava sobre uma base de partidos à esquerda (além do PDT, PSB, Avante e as federações PT/PCdoB/PV e PSol/Rede), e afirmava apoio a Lula ao mesmo tempo em que acenava ao centro.

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Adversários passaram a identificar que o equilíbrio era frágil e que o discurso de união pelo bem do Estado também possuía alcance limitado, em um cenário dominado pela polarização. Ao mesmo tempo, internamente, aliados e mesmo pedetistas tinham dificuldade em fazer chegar a Juliana debates e propostas sobre linha de campanha ou alteração de estratégias, mesmo quando estas passavam ao conhecimento do chamado núcleo duro da candidata. “Observávamos Zucco em uma evolução, na qual conseguiu capturar por inteiro a mensagem da mudança, desejada pelo eleitor, enquanto Juliana continuava falando em cuidado e confiança”, revela um integrante da coligação.

O quadro se completou com a baixa adesão de candidatos das proporcionais, de todos os partidos, à chapa majoritária como um todo, ou uma interação maior deles com as duas candidaturas ao Senado, apesar da sintonia entre Juliana e seu vice, Edegar Pretto (PT), e da recepção calorosa de lideranças pedetistas aos petistas. Por fim, admitem diferentes líderes das siglas, faltou ‘cobrir’ muitos pequenos municípios do RS.

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