Há unanimidade entre estrategistas e aliados de Luciano Zucco (PL) ao definir o “combo” que levou o deputado federal a vencer no primeiro turno a eleição para o governo do RS neste domingo, apresentando uma performance superior até a indicada nas sondagens nas quais aparecia com os melhores desempenhos. E, no conjunto, o conservadorismo atribuído ao eleitorado gaúcho ou a popularidade de lideranças bolsonaristas no Estado é apenas um dos fatores.
O primeiro motivo do sucesso de Zucco, destaca um dos integrantes de seu núcleo duro de campanha, foi a ampla aliança que ele conseguiu fechar, a começar pela adesão do PP, ainda no mês de março. O apoio do PP teve um efeito em quatro frentes. Primeiro, fortaleceu a então pré-candidatura do PL. Mas, também, desferiu um golpe na base aparentemente coesa do governo Eduardo Leite (PSD), abrindo uma crise nas pretensões do MDB, que considerava a sigla fundamental para o desempenho de seu postulante, o vice-governador Gabriel Souza. Por fim, ajudou a atrair outras legendas da base governista, como o Republicanos e o Podemos.
Zucco chegou na campanha à frente de uma aliança que incluiu também Novo, DC e Democrata, militância estruturada em todo o Estado e recursos fartos. E já flertando abertamente com lideranças emedebistas, como o prefeito da Capital, Sebastião Melo. O apoio do PP, o mais tradicional partido conservador do RS, com diretórios em quase 100% das cidades gaúchas, e que elegeu mais prefeitos (164) em 2024, ganhou escala com a definição da deputada estadual Silvana Covatti como vice na chapa. Ela é a matriarca da família de políticos conhecida como “máquina de fazer votos”.
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Na sequência, o PL, as vezes aproveitando afinidades ideológicas, foi rápido em contratar profissionais e empresas que conheciam em profundidade não só o MDB como o atual governo. Entre eles Cleber Benvegnú, que ocupou a secretaria de Comunicação e a Casa Civil no governo de José Ivo Sartori. Tânia Moreira, que foi secretária de Comunicação de Leite. E a IPO Pesquisas de Opinião.
Na sequência, Zucco passou por um intensivo de media training. O treinamento que ensina políticos, celebridades, empresários e outros profissionais que precisem tratar com o público a se comportarem adequadamente, evitarem posturas e tom agressivos, manterem o controle, falarem com clareza e usarem expressões genéricas quando não conhecem um tema ou não sabem como responder a um questionamento.
A partir daí, a equipe de marketing teve êxito em apresentar Zucco como uma pessoa simples, comunicativa, e de trato fácil, afastando sua imagem do radicalismo associado a setores do bolsonarismo e à extrema-direita. A certeza do sucesso veio a partir de 12 de setembro. Foi a dia em que os trackings internos (que medem a evolução de tendências e comportamentos) passaram a identificar um crescimento pequeno, mas contínuo de Zucco nas preferências dos eleitores. Nos eventos – e nas redes – aumentou a mobilização para ‘liquidar a fatura’ de uma vez, validando o que anunciava, desde o início da corrida, o presidente estadual do PL, Giovani Cherini.
