Agora, dois economistas disputam a preferência dos eleitores. Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) protagonizam aquela que é considerada a campanha mais acirrada desde a eleição de 1989, quando Lula, disputando sua primeira eleição presidencial, enfrentou Fernando Collor no segundo turno e perdeu. É também, desde 1989, a primeira eleição em que Lula não é candidato.
Serra deixou pela metade o mandato de governador de São Paulo para concorrer e tenta chegar à Presidência pela segunda vez. Em 2002, após dois governos de FHC, e com Rita Camata (PMDB) como vice, disputou a eleição com Lula. Na ocasião, o PSDB se coligou apenas com o PMDB. O então PFL (atual Dem), partido de Marco Maciel, o vice de Fernando Henrique, quase emplacou a indicação da então governadora do Maranhão, Roseana Sarney, para a corrida presidencial. Mas ela acabou abandonando a disputa após o escândalo da Operação Lunus.
As suspeitas de que a operação contasse com um incentivo do governo de forma a beneficiar Serra, negadas com veemência pelos tucanos, inviabilizaram uma aliança. O pleito foi para segundo turno e Serra perdeu. Agora, retomou o acordo com o Dem, que é seu principal aliado e indicou o vice, o deputado federal Índio da Costa. Também integram a coligação liderada pelos tucanos o PPS, o PTB, o PMN e o PT do B.
Dilma, que sempre atuou em cargos técnicos em diferentes instâncias do Executivo — administração municipal de Porto Alegre, governo do Rio Grande do Sul e governo federal —, estreia nas urnas disputando a Presidência depois de, no governo federal, ter ocupado o cargo de maior poder no primeiro escalão: a chefia da Casa Civil. À função, ela foi alçada após o escândalo do mensalão e a consequente queda do então ministro José Dirceu, em 2005. Escolhida pelo presidente Lula para sucedê-lo, mantém desde o primeiro turno a dianteira nas pesquisas de intenção de voto.
Com a candidatura de Dilma, pela primeira vez, uma mulher tem chances reais de chegar ao Planalto. Amparada por uma aliança que inclui outros nove partidos além do PT (PMDB, PDT, PSB, PC do B, PTC, PR, PTN, PSC e PRB), Dilma tem como vice o presidente nacional do PMDB e da Câmara dos Deputados, Michel Temer.
Troca de acusações marcou disputa
O segundo turno da disputa presidencial foi marcado por troca de acusações entre os dois candidatos, em detrimento à apresentação de programas de governo. Houve denúncias de ambos os lados, envolvendo aliados petistas e tucanos, e destaque a temas religiosos e de caráter pessoal, como aborto e casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Os ataques foram iniciados pela campanha do candidato José Serra (PSDB), que acusou a adversária, Dilma Rousseff (PT), de inexperiente e detentora de posições políticas extremas. A campanha da petista, que praticamente ignorou os ataques no primeiro turno, resolveu reagir.
Dilma comparou os dois governos do presidente Lula (PT) com as duas administrações de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Ela acusou os tucanos de pretenderem privatizar empresas importantes, a exemplo do que ocorreu durante a era FHC.
