Exatamente 20 dias depois do primeiro turno, os porto-alegrenses vão voltar às urnas neste domingo (27) para escolher quem governará Porto Alegre. Dois projetos diferentes em vários pontos e também apresentados por duas lideranças trajetórias políticas distintas.
Ambos não nasceram em Porto Alegre, mas criaram aqui a sua casa e o seu berço político.
Sebastião Melo, do MDB, passou boa parte da vida política na Câmara dos Vereadores e chegou ao comando do Paço Municipal na segunda tentativa, em 2020. Nesta campanha, defende a continuidade da sua gestão com a justificativa de que há mais a ser feito.
Maria do Rosário, do PT, também foi vereadora, mas acumula seis mandatos como deputada federal, tendo a capital como base. Se vitoriosa, levará o PT ao comando do Paço duas décadas depois de o partido ter encerrado um período de 16 anos no comando da prefeitura.
A seguir, o Correio do Povo traz um pouco da trajetória dos candidatos que disputam o segundo turno de Porto Alegre:
Maria do Rosário tinha 35 anos quando chegou ao Congresso. Depois de seis anos na Câmara de Porto Alegre e quatro na Assembleia, arriscou uma candidatura. Conseguiu. E, há 22 anos, é deputada federal. Nessa legislatura, conquistou um dos grandes trunfos: compor a Mesa Diretora. Por indicação do PT, seu partido há 30 anos, assumiu a 2º secretária.
Professora, mestre em educação e doutora em ciência política, é conhecida pelo seu trabalho na pauta dos direitos humanos. Começou no movimento pelo fim da exploração sexual de crianças e adolescentes quando era vereadora e cresceu na Assembleia. No Congresso, seguiu a agenda que a orgulha.
O envolvimento resultou em louros, e em 2011, foi nomeada secretária de Direitos Humanos, no governo de Dilma Rousseff (PT). Mas foi a posição combativa na defesa da causa dos direitos humanos que ampliaram a sua rejeição. Cansada de ser questionada quanto a isso, já não pode mais ouvir a palavra “rejeição”, apesar da ciência, tanto dela quanto de aliados. O protagonismo de embates dentro do parlamento também contribuiu para que Rosário adquirisse a armadura de uma mulher que precisa conviver e defender seus ideais em um ambiente majoritariamente masculino e hostil.
- Melo e Rosário aumentam ataques na reta final da campanha em Porto Alegre
- Em Porto Alegre, Gleisi Hoffmann faz campanha para o “vira voto” em Rosário
A face mais dura, entretanto, é restrita às disputas políticas. Do seu tempo de sala de aula, é da dimensão afetiva que recorda com mais carinho e, na lida da campanha, buscou mostrar esse lado. Aquela versão destinada à família: o marido, Eliezer Pacheco, a filha, Maria Laura, e os cachorros Pelúcio e Pique, de “Piquetito”. Acostumados com as ausências em função da vida de deputada, a família vislumbra a possibilidade de tê-la mais perto. E essa não é a primeira vez. Em 2008, Rosário disputou a prefeitura e perdeu. Na eleição anterior, como vice na chapa de Raul Pont (PT), também saiu derrotada.
Dezesseis anos depois, ela retoma o seu desejo de comandar a Capital – cidade em que não nasceu, mas que a acolheu tão bem e que, hoje, é sua de coração. Assim como da primeira vez, enfrentou resistência de núcleos do partido. A rejeição e o desejo de outros possíveis nomes fizeram com que Rosário tivesse de usar o máximo da sua articulação política.
Confirmado seu nome e a composição com o PSol, se empenhou pessoalmente em atrair mais aliados para a “Frente Ampla” e repetir o feito de Lula em 2022. Apesar das seis siglas, não conseguiu expandir para muito além do campo.
Na campanha, priorizou o corpo a corpo, o olho no olho. Fez agendas de rua em todos os cantos da cidade e, de tanto falar ao microfone, chegou no dia 7 de outubro sem voz. Dos próximos, não há quem negue que o sonho dela é ser prefeita. Mas, independente do resultado das urnas, a primeira coisa que ela vai fazer é a mesma, prefeita ou não: organizar os seus tantos cadernos utilizados na campanha. Lá, anotou nomes, endereços de pessoas e comunidades com quem se comprometeu a dar respostas aos tantos problemas relatados.