Lula disse que em sua gestão sofreu com a oposição e desejou que Dilma consiga governar com a “compreensão” dos partidos que não são da base: “A bola está com a senhora, monte o seu time, que eu estarei na arquibancada, sem corneta, batendo palmas e nunca vaiando”, afirmou. “Queria pedir à oposição que, a partir do dia 1º de janeiro, olhasse um pouco mais o Brasil, para que o País dê certo”, disse.
“Contra mim não tem problema, mas queria apenas pedir a compreensão, que não se faça contra a Dilma a política que se fez comigo, a da vingança a da política para não dar certo. A oposição tem que continuar sendo oposição, mas tem que ver o que é briga político- partidária. Por conta disso, essas pessoas tiraram R$ 40 bilhões anuais da saúde”, falou se referindo a extinção da CPMF durante sua administração. "Acho que foi um engano derrubar a CPMF e acho que deve ser feito algo para a saúde."
Retorno ao governo
Quando questionado sobre uma possível volta à disputa eleitoral em 2014, Lula disse que Dilma tem o direito de tentar se reeleger. “Quem vai sair do governo como eu, que tenha responsabilidade de pensar por até 1 milhão de vezes, porque voltar é uma responsabilidade maior”, explicou. “Tudo o que eu desejo na vida é que a Dilma faça as coisas que ela sabe fazer. Ela vai aprimorar e ouvir a sociedade. Se ela fizer o que sabe, tem todo o direito de, em 2014, ser candidata.”
Bancada mais forte
Para o presidente, Dilma terá uma bancada mais forte do que a dele no Senado e na Câmara. “Ela vai ter uma bancada mais consolidada. Certamente nós temos senadores com menos raiva do que os que saíram. Isso já é meio caminho andado. Aprovamos tudo o que enviamos ao Congresso, com exceção da CPMF. Acho que foi um engano derrubar a CPMF e acho que deve ser feito algo para a saúde”
Lula afirmou, contudo, que a petista terá que negociar bastante com os parlamentares em sua gestão. “Um presidente da República se relaciona com a força política eleita e não com a que ele gostaria que fosse eleita. A Dilma vai ter que se relacionar com os parlamentares que estão aí. Ela não pode criar novos senadores e dizer que não quer aquele deputado. Ela vai ter que conversar com o companheiro do PCdoB e com o deputado Tiririca.”
