A campanha não tomou as ruas de Porto Alegre nas eleições municipais de 2024. O ano foi atípico, devido às enchentes. Maior ou menor o grau de influências que as cheias tiveram na disputa, as campanhas não chegaram a todos os bairros da Capital e tiveram dificuldade de bater às portas e se colar no peito dos porto-alegrenses.
O Correio do Povo realizou um levantamento com base nas agendas divulgadas pelos quatro principais candidatos à prefeitura de Porto Alegre - isto é, aqueles cujos partidos contam com representação na Câmara dos Deputados: Sebastião Melo (MDB), Maria do Rosário (PT), Juliana Brizola (PDT) e Felipe Camozzato (Novo). Assim, mapeou onde a política eleitoral se faz presente, considerando os primeiros 45 dias, entre 16 de agosto e 29 de setembro.
O Centro Histórico concentrou a campanha, como esperado. A região em que se localizam as sedes dos Poderes do Estado, além do Paço Municipal e da Câmara de Vereadores, foi o principal palco de comícios, caminhadas e outras atividades.
O bairro Praia de Belas também foi destaque. Ele hospeda o Trecho 3 da Orla do Guaíba, o parque Marinha do Brasil e o Parque da Harmonia, que recebe o Acampamento Farroupilha durante o período eleitoral.
O Moinhos de Vento foi outro ponto de concentração. Tradicional reduto da direita de Porto Alegre e palco de diversos protestos deste campo ideológico ao longo dos anos, o bairro abriga o comitê central de Camozzato, responsável pela maioria das agendas no local.
Os três bairros mais visitados, portanto, se localizam na região central, sendo praticamente vizinhos. Dentre os demais bairros, foram destaque a Lomba do Pinheiro, o Partenon, o Sarandi, duramente atingido pelas águas de maio, e o São Geraldo, coração do 4º Distrito.
Clássicos redutos da esquerda, Cidade Baixa e Bom Fim receberam pouca atenção dentre as candidaturas majoritárias nos primeiros 45 dias de campanha, assim como o Menino Deus, um dos mais antigos da Capital. Locais como o Humaitá e a Vila Farrapos, que ficaram semanas submersos após a enchente e alagam com demasiada frequência, também não foram alvos de muitas visitas.
Área extremamente vulnerável em diversas frente, a região das Ilhas não figurou em nenhuma agenda oficial. Na extrema Zona Norte, o Anchieta também ficou de fora. O Lami, na extrema Zona Sul, apareceu em apenas um evento de campanha.
A campanha de Sebastião Melo (MDB)
A campanha de Maria do Rosário
A campanha de Juliana Brizola
A campanha de Felipe Camozzato