Eleições

Eleições 2024: pesquisas guiam candidatos na reta final da disputa de Porto Alegre

Postulantes ao Paço monitoram humores do eleitorado e usam dados para afinar movimentos, com objetivo tanto de reter simpatizantes como de buscar votos que estão com oponentes

Na reta final, candidatos analisam as pesquisas para definir estratégias na disputa pela prefeitura de Porto Alegre
Na reta final, candidatos analisam as pesquisas para definir estratégias na disputa pela prefeitura de Porto Alegre Foto : Montagem em fotos de César Lopes, Camila Cunha, Vinícius Rocha e Vinícius Montenegro

Na reta final da campanha do primeiro turno, os candidatos à prefeitura de Porto Alegre monitoram diariamente os humores do eleitorado e balizam suas ações a partir de pesquisas de opinião públicas e sondagens quantitativas e qualitativas realizadas por suas próprias equipes.

Ao mesmo tempo em que a campanha adquire um ritmo muito mais intenso nos últimos dias, os postulantes ao passo tentam fazer movimentos estudados e certeiros, tanto com o objetivo de manter a preferência daqueles que já conquistaram, como de buscar votos que hoje estão com oponentes, mas que podem mudar até o próximo domingo. Por isso, usam as ferramentas das medições sobre como está oscilando o gosto do eleitorado.

Em Porto Alegre, asseguram especialistas em pesquisas e marketing, a precisão destes movimentos se tornou especialmente importante a uma semana da eleição porque ainda é alto o percentual de eleitores que não fixou em definitivo sua escolha. Ou seja: ela pode mudar.

“O ‘funil eleitoral’, como chamamos, possui quatro momentos. Já passamos os dois primeiros, que são o do interesse e o da atenção. Agora estamos no da reflexão do voto. E caminhamos para o da conversão. Em Porto Alegre, neste momento, cerca de 30% dos eleitores não estão com o voto cristalizado. Isto cria uma boa variabilidade nas pesquisas e nas urnas. E, a partir de agora, os movimentos do jogo são muito rápidos”, explica a cientista social e política Elis Radmann, diretora do Instituto Pesquisas de Opinião (IPO).

“As pesquisas dão resultados diferentes porque têm metodologias diferentes, são colhidas em momentos diferentes, e em um cenário no qual a definição do voto ainda está muito volátil. As preferências eleitorais mudam todos os dias. Por isso, devemos ler as pesquisas como se elas captassem tendências, não resultados”, adverte o doutor em ciência política e consultor de marketing eleitoral Juliano Corbellini.

O consultor também usa o exemplo de Porto Alegre, onde pesquisas publicadas nos últimos dias apontaram tendência de crescimento de Sebastião Melo (MDB) e Juliana Brizola (PDT) e queda de Maria do Rosário (PT).

“Mostraram uma mesma tendência. Mas sua dimensão, e o resultado final, são impossíveis de prever. Até porque, nesta última semana, a eleição entra em uma outra dinâmica, de definição rápida do voto, e as coisas podem mudar”, assinala.

Em solo gaúcho, o exemplo mais recente de movimentações que sondagens não conseguiram ‘pegar’ aconteceu no primeiro turno da eleição para o governo do Estado em 2022, em uma disputa que envolveu o governador Eduardo Leite (PSDB), o ex-ministro Onyx Lorenzoni (PL) e o então deputado estadual Edegar Pretto (PT).

Antes, nas eleições municipais de 2020, o peso dos levantamentos também ganhou os holofotes, quando, na véspera do segundo turno, uma pesquisa falsa chegou a ser divulgada na Capital.

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