Na reta final da campanha do primeiro turno, os candidatos à prefeitura de Porto Alegre monitoram diariamente os humores do eleitorado e balizam suas ações a partir de pesquisas de opinião públicas e sondagens quantitativas e qualitativas realizadas por suas próprias equipes.
Ao mesmo tempo em que a campanha adquire um ritmo muito mais intenso nos últimos dias, os postulantes ao passo tentam fazer movimentos estudados e certeiros, tanto com o objetivo de manter a preferência daqueles que já conquistaram, como de buscar votos que hoje estão com oponentes, mas que podem mudar até o próximo domingo. Por isso, usam as ferramentas das medições sobre como está oscilando o gosto do eleitorado.
Em Porto Alegre, asseguram especialistas em pesquisas e marketing, a precisão destes movimentos se tornou especialmente importante a uma semana da eleição porque ainda é alto o percentual de eleitores que não fixou em definitivo sua escolha. Ou seja: ela pode mudar.
“O ‘funil eleitoral’, como chamamos, possui quatro momentos. Já passamos os dois primeiros, que são o do interesse e o da atenção. Agora estamos no da reflexão do voto. E caminhamos para o da conversão. Em Porto Alegre, neste momento, cerca de 30% dos eleitores não estão com o voto cristalizado. Isto cria uma boa variabilidade nas pesquisas e nas urnas. E, a partir de agora, os movimentos do jogo são muito rápidos”, explica a cientista social e política Elis Radmann, diretora do Instituto Pesquisas de Opinião (IPO).
“As pesquisas dão resultados diferentes porque têm metodologias diferentes, são colhidas em momentos diferentes, e em um cenário no qual a definição do voto ainda está muito volátil. As preferências eleitorais mudam todos os dias. Por isso, devemos ler as pesquisas como se elas captassem tendências, não resultados”, adverte o doutor em ciência política e consultor de marketing eleitoral Juliano Corbellini.
O consultor também usa o exemplo de Porto Alegre, onde pesquisas publicadas nos últimos dias apontaram tendência de crescimento de Sebastião Melo (MDB) e Juliana Brizola (PDT) e queda de Maria do Rosário (PT).
“Mostraram uma mesma tendência. Mas sua dimensão, e o resultado final, são impossíveis de prever. Até porque, nesta última semana, a eleição entra em uma outra dinâmica, de definição rápida do voto, e as coisas podem mudar”, assinala.
Em solo gaúcho, o exemplo mais recente de movimentações que sondagens não conseguiram ‘pegar’ aconteceu no primeiro turno da eleição para o governo do Estado em 2022, em uma disputa que envolveu o governador Eduardo Leite (PSDB), o ex-ministro Onyx Lorenzoni (PL) e o então deputado estadual Edegar Pretto (PT).
Antes, nas eleições municipais de 2020, o peso dos levantamentos também ganhou os holofotes, quando, na véspera do segundo turno, uma pesquisa falsa chegou a ser divulgada na Capital.
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