O PT gaúcho não vai prorrogar o prazo para a definição do nome do partido que disputará o Senado nas eleições de 2026. Durante e após o almoço da quarta-feira, 12, na qual foi formalizado o apoio de sete siglas (PT, PSol, PSB, PDT, PCdoB, Rede e PV) no RS à reeleição do presidente Lula, lideranças petistas descartaram a possibilidade de a decisão acontecer após 30 de novembro. A data é a da realização do encontro estadual partidário que apresentará os nomes que concorrerão ao governo (já definido o atual presidente da Conab, Edegar Pretto) e ao Senado. E o evento já sofreu um ajuste: estava inicialmente marcado para o dia 29.
Sem prorrogação, a sigla intensifica a pressão sobre o senador Paulo Paim, que hoje ainda tem a preferência, mas cuja demora em anunciar claramente se deseja ou não disputar o quarto mandato passou a incomodar tanto lideranças quanto bases partidárias. A opção ao nome de Paim é o deputado federal Paulo Pimenta.
“Vamos solicitar uma definição do senador até 29 de novembro. Se ele quiser concorrer, tem a preferência. Se não quiser, teremos outro nome. Mas chegaremos ao encontro do dia 30 com este ponto definido”, assegura um dos articuladores petistas. “A questão do Senado, queremos resolver até o dia 29. E isto se dá justamente porque há uma cobrança generalizada da nossa militância no Estado. O senador tem total legitimidade para ser nosso candidato, e ele precisa de fato estar disposto a assumir esta tarefa”, completa o presidente do diretório gaúcho, o deputado estadual Valdeci Oliveira.
As oscilações de Paim incomodam porque atrapalham uma série de negociações tanto internas como com aliados, deixando articuladores com a sensação de que o senador não está dando a devida dimensão aos conjunto de fatores incluso da definição. Primeiro, em novembro do ano passado, Paim anunciou formalmente que não disputaria um novo mandato. Em julho, contudo, sob a justificativa da existência de um ‘forte apelo’ da militância, ele intensificou a presença nas redes e as agendas no Estado, articulando uma nova indicação.
Com os movimentos, e após reuniões com o presidente nacional da legenda, Edinho Silva, e com o comando gaúcho, o PT passou a aguardar um anúncio claro de Paim e Pimenta recuou. No final de outubro, durante encontro da sigla em Porto Alegre, o deputado discursou dizendo que só havia posto seu nome à disposição para o Senado porque o senador havia comunicado que não concorreria, e assinalou que não participaria de disputa interna pela vaga. O partido passou a tratar Paim como o candidato, ele seguiu incentivando os movimentos em prol de sua indicação e a formalização era dada como certa. Mas se passaram quase 20 dias desde o discurso de Pimenta, e Paim não deu qualquer nova sinalização ao partido, irritando articuladores.
O entendimento dos negociadores petistas é de que, internamente, a definição afeta principalmente o grupo de Pimenta, mas, ao cabo, atrapalha os movimentos da majoritária como um todo, porque impõe um desgaste desnecessário de nomes.
No caso do grupo de Pimenta, se fosse seguido o plano inicialmente traçado, ele iria ao Senado e os estaduais Valdeci Oliveira e Laura Sito tentariam herdar seus eleitores na Câmara. Abrindo, assim, espaço para que Maneco Hassen, outro apadrinhado do deputado, disputasse com mais tranquilidade uma vaga na Assembleia Legislativa. Com Pimenta concorrendo à reeleição, todo este ordenamento muda.
Externamente, o partido quer ter logo um nome para agilizar as tratativas de aliança com o PSol. E fortalecer a campanha casada com a ex-deputada Manuela D’Ávila, que deverá se filiar ao PSol e ser o outro nome da chapa para o Senado, já que, na eleição de 2026, estão em disputa duas cadeiras para a Câmara Alta.