Neste domingo, 30, o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) detalhou suas propostas para um eventual governo em entrevista ao programa Domingo Espetacular, da TV Record. O senador falou sobre segurança pública, contas públicas, jornada de trabalho, educação, saúde, indicações ao Supremo Tribunal Federal e o financiamento do filme sobre a vida do pai.
Segurança pública
Flávio afirmou que uma de suas primeiras medidas será enquadrar Comando Vermelho, PCC (Primeiro Comando da Capital) e milícias como organizações terroristas. Pelo plano apresentado à emissora, Exército, Marinha e Aeronáutica usariam o poder de polícia que já possuem para apoiar as forças estaduais no combate ao que classificou como narcoterrorismo.
“Exército, Marinha, Aeronáutica, com o poder de polícia que têm, vão ajudar as forças estaduais a combaterem os narcoterroristas aqui no Brasil. E uma das primeiras coisas que eu vou fazer enquanto presidente da República é declarar Comando Vermelho, PCC e milícias como organizações terroristas”, declarou.
O senador descartou qualquer cenário de intervenção dos Estados Unidos em território brasileiro. “Não vai chegar alguém aqui e pegar o governo, o presidente da República, ministro e vai tirar do Brasil. Não tem nada disso”, explicou. Segundo ele, a relação entre os dois países se limita a acordos de cooperação em inteligência, recursos humanos e troca de informações.
Jornada de trabalho
Sobre o fim da escala 6x1, tema que o Senado deve analisar nesta semana, o senador evitou revelar como pretende votar, defendendo apenas que a jornada seja definida em acordo direto entre trabalhador e empregador, com remuneração proporcional às horas cumpridas.
A fala se contrapões ao texto em discussão no Congresso, que reduz a semana para 40 horas e encerra o regime de seis dias de trabalho.
“O trabalhador vai trabalhar quantas horas ele quiser. Ele vai ter a flexibilidade, a liberdade de decidir e vai ser remunerado pela quantidade de horas que ele quer trabalhar”, afirmou.
Contas públicas
Na área econômica, o candidato prometeu colocar inteligência artificial ampliar o controle sobre os gastos públicos em até um ano de mandato caso seja eleito. A ferramenta integraria um plano de governança digital que, de acordo com ele, alcançaria desde a compra de itens básicos até grandes licitações, passando por emendas parlamentares e nomeações para cargos públicos.
Para Flávio Bolsonaro, a medida teria como objetivo equilibrar as contas públicas e reduzir gastos, com foco no combate à burocracia e aos impostos. Além disso, o candidato prometeu cortar cargos comissionados.
“Com combate a corrupção, uma governança feita com inteligência artificial, com transparência para controlar cada centavo de dinheiro público e com pessoas honestas e competentes, eu tenho a convicção que as contas do Brasil rapidamente vão voltar a se encaixar”, completou.
Educação e empreendedorismo
Pensando em desenvolvimento, o candidato propôs o programa “Minha Primeira Empresa”, voltado à capacitação e à orientação de jovens que queiram abrir o próprio negócio, com previsão de acesso a crédito.
O candidato disse que quer que os jovens brasileiros tenham como referência empreendedores como Elon Musk, em vez de serem atraídos pelo crime.
“O jovem tem que sonhar em ser o Elon Musk, não ser o dono da boca de fumo da sua rua, como infelizmente acontece hoje em muitas comunidades que são dominadas por marginais”, declarou.
Flávio defendeu ainda a inclusão de empreendedorismo, educação moral e cívica e tecnologia na grade curricular, a fim de combater o que classificou como “doutrinação” em sala de aula.
Ele também promete ampliar o investimento em ensino técnico, formação que considera necessária diante dos investimentos na instalação de data centers no país.
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Saúde
Considerando o cenário da saúde, Flávio afirmou que pretende levar ao SUS metodologias e tecnologias utilizadas em hospitais particulares, apontando o médico Claudio Lottenberg, do Hospital Israelita Albert Einstein, como escolhido para o Ministério da Saúde. Do orçamento federal da área de saúde pública, que estimou em R$ 250 bilhões anuais, parte iria para modernização tecnológica.
“Eu quero implementar no SUS o padrão Einstein de atendimento. Eu quero levar para a rede pública, para você que usa o SUS, o mesmo tratamento, a mesma metodologia, a mesma tecnologia, o mesmo atendimento de qualidade que as pessoas ricas têm”, declarou.
A proposta inclui um aplicativo do governo para consultar a disponibilidade de vagas para cirurgias, localizar unidades próximas e comparar tempo de espera. O candidato citou situações como febre, diarreia e fraturas como exemplos de casos em que a ferramenta poderia facilitar o acesso ao atendimento.
Flávio quer ainda criar um protocolo eletrônico unificado em todo o país, conectando os sistemas de saúde das diferentes esferas de governo, além de utilizar inteligência artificial para melhorar a gestão da rede pública. Segundo ele, a medida permitiria melhorar a organização do atendimento e reduzir o tempo de espera.
Indicações ao STF
Sobre o Supremo Tribunal Federal, Flávio Bolsonaro se comprometeu a indicar, caso seja eleito, ministros contrários ao aborto e às drogas, além de perfis que descreveu como “patriotas” e comprometidos com a segurança jurídica. Evitou citar nomes e alegou que antecipar as escolhas renderia desgaste na imprensa.
“Vou indicar homens e mulheres que sejam comprometidos em serem contra o aborto, em serem contra as drogas e que não usem a caneta para fazer injustiça com ninguém. [...] Se eu indico o nome agora, já começa a tomar uma saraivada de matérias do jornal sem parar. Mas o perfil vai ser esse: homens e mulheres que sejam de verdade patriotas e que pensem em trazer segurança jurídica de volta e resgatar a credibilidade do Supremo”, afirmou.
Filme Dark Horse e envolvimento com o Banco Master
A respeito da polêmica envolvendo o financiamento do longa que conta a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, o candidato considerou o debate encerrado. Novamente, negou uso de recursos públicos, afirmou não ter recorrido à Lei Rouanet e disse ver como legítima a busca por patrocínio privado.
“De forma definitiva, não tem absolutamente nada de errado em um filho buscar um financiamento, um patrocínio para uma empresa privada sem nada de dinheiro público, não fui buscar Lei Rouanet”, comentou.
