Eleições

Fortunati: "Não tem jeito: rei morto, rei posto"

Enquanto seu partido fazia ato festivo para Melo na Azenha, petebista reunia pertences em produtora do bairro Floresta

Três horas antes, no mesmo cenário de fundo verde, Fortunati transmitira sua última live da campanha de 2020
Três horas antes, no mesmo cenário de fundo verde, Fortunati transmitira sua última live da campanha de 2020 Foto : Facebook / Reprodução / CP

Passavam alguns minutos da uma e meia da tarde desta quarta-feira quando o presidente do PTB municipal, Everton Braz, deu início ao ato que formalizou o apoio de seu partido à candidatura de Sebastião Melo (MDB) à prefeitura de Porto Alegre. Para a mais de uma centena de lideranças e militantes do PTB, MDB, DEM e outras siglas que, convocada via redes sociais e telefone, lotava o comitê central da campanha petebista no bairro Azenha, o clima era de comício, com direito a cumprimentos, discursos, bravatas e aplausos. Uma postagem no twitter de Melo pouco antes, informando seu deslocamento ao comitê, e fornecendo o endereço completo, reforçara o anúncio para quem, entre correligionários ou imprensa, porventura estivesse desatento.

Exatamente no mesmo horário, em uma produtora que funciona na rua Conde de Porto Alegre, no bairro Floresta, do outro lado da cidade, José Fortunati (PTB) reunia “sem pressa” objetos e lembranças. Não tinha a voz embargada do momento em que, três horas antes, no mesmo cenário de fundo verde, transmitira sua última live da campanha de 2020. As lives, uma aposta para os tempos de distanciamento e repúdio a aglomerações, acabaram se transformando em uma das marcas da campanha de Fortunati. Na última, na manhã desta quarta, ele anunciou que, faltando  quatro dias para o primeiro turno, estava desistindo de disputar o cargo em função da decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) que indeferiu a candidatura de seu vice na chapa, o médico André Cecchini (Patriota).  

Foi neste momento que o ex-prefeito e agora ex-candidato falou com o Correio do Povo. Confira os principais trechos da conversa.

CP: Entre diferentes campanhas, há uma grande expectativa sobre o que o senhor fará agora. O senhor vai ficar neutro ou apoiar outro candidato?

JF: Desde o momento da decisão do TRE até a manhã de hoje, concentrei todo o foco estudando e em reuniões sobre quais as alternativas possíveis. Ainda não parei para pensar o após, o daqui para a frente. Para mim está tudo em aberto. Mas a questão é muito simples: ou apoio um determinado candidato ou me abstenho.

CP: Neste momento está acontecendo um ato no comitê de campanha, com o PTB oficializando o apoio à candidatura de Sebastião Melo (MDB).

JF: A reunião estava marcada para às 13h30.

CP: Sim, mas neste momento já estão acontecendo os pronunciamentos oficializando o apoio.

JF: Estou focado aqui. Quanto a isso (o ato público), estou completamente por fora do que se passa.

CP: Os movimentos todos entre sua desistência de concorrer, anunciada às 10h45, e o apoio oficial a outro candidato, menos de três horas depois, não aconteceram rápido demais?

JF: Agora os momentos são muito rápidos e há o problema de que falta bem pouco tempo para as eleições. Em um período como este, cada hora que passa faz diferença, e 24 horas podem valer muito, sei disto por experiência própria. É aquela história, não tem jeito: rei morto, rei posto.

CP: Esta campanha de 2020 é menos visível, em função de uma série de restrições. Mas, nos bastidores, desde o início, a disputa por aliados envolvendo PTB, MDB e DEM, característica do ‘jogo político’, foi ferrenha. Em algum momento esse jogo passou dos limites?

JF: É justamente sobre isto que estou pensando, os limites. Porque todo o jogo tem limites. Quero refletir sobre o que aconteceu, deixar a poeira baixar.

CP: O senhor pretende fazer alguma nova manifestação até o domingo, 15?

JF: Por enquanto não tenho nada planejado.

CP: O senhor pretende dar prosseguimento a questionamentos jurídicos envolvendo a decisão do TRE?

JF: Os advogados vão levar adiante o recurso, cobrando uma posição do Tribunal sobre os itens todos que apontamos. Veja, há uma diferença. O que eu fiz, de renunciar, desistir da candidatura, foi um ato político. Não há um ato formal neste sentido. O ato formal foi cobrar a posição do TRE.

CP: O senhor vai permanecer em Porto Alegre nos próximos dias ou pretende se afastar para descansar?

JF: Vou ficar em Porto Alegre.

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