Eleições

Humildade é a chave para Melo vencer segundo turno em Porto Alegre

O candidato à reeleição em Porto Alegre falou sobre as estratégias de campanha nesta etapa decisiva da eleição, a busca de apoio dos partidos que ficaram no primeiro turno

Quase não houve segundo turno em Porto Alegre. Candidato à reeleição, Sebastião Melo (MDB) obteve 49,72% dos votos válidos e, por pouco, não encerrou o pleito no domingo. Agora, prepara a estratégia para não perder uma disputa em que desponta como favorito. A palavra-chave é humildade, enquanto o apoio dos partidos que ficaram no primeiro turno devem ser disputados com sua adversária.

  • O que deu de tão certo na campanha?

Foi traduzir para o eleitor as transformações que a cidade realizou nesses quatro anos. De forma alegre, pra cima e apontando soluções para o futuro. Também dizendo de onde é que vem o dinheiro. Nós acertamos o tom do posicionamento político, que é fazer

uma campanha municipalista. O eleitor vai ver: se eu falo da Vicente Monteggia, ele vai ver que é verdade. Edgar Pires de Castro está

duplicando. A Tronco. Entregou? Entregou. Eu fui martelando isso

e as pessoas compreendendo.

  • O que faltou para uma vitória em primeiro turno?

Quem decide primeiro turno, ou segundo turno, é o eleitor. A campanha em Porto Alegre é grenalizada, teve enchente pela frente… se a eleição fosse sem enchente, era outra coisa. Eu sou o cara mais feliz do mundo. Pensei que podia chegar com 41%, 42%, 39%. Chegar com 49,72% é uma vitória espetacular.

  • Chegou a acreditar, durante a apuração, ser possível a vitória no 1º turno?

Recebi várias urnas, peguei a minha calculadora e eu sempre tinha uma boa diferença, mas nunca passava dos 50%. O voto estava

consolidado nas candidaturas. Quando o Felipe (Camozzato) se consolidou perto dos 4%, foi o voto que definiu a eleição (em dois turnos). Desde os primeiros votos que caíram trabalhei com essa hipótese. No final que aproximou, mas já não tinha mais tempo.

  • Foram só 0,28 pontos percentuais. É jogo jogado?

Não. Humildade. Se é uma nova eleição, não é uma outra eleição. O eleitor vai chegar lá com duas opções apenas.

  • Como não perder a eleição?

Primeiro, humildade de saber que começamos em pé de igualdade o segundo turno. Ela é tão candidata quanto eu. Segundo, reforçar as fortalezas da campanha, que envolve mobilização, televisão,

rede, reforçar os posicionamentos, ouvir os partidos e, juntos, sairmos prontos. E vou tentar envolver mais os candidatos (a vereador), os eleitos e os não eleitos.

  • Qual será a estratégia?

Não sei o que vem do lado de lá. Nós vamos continuar fazendo uma

campanha propositiva. Eu sempre tendo a responder, porque para

mim tem um limite da crítica política. Se ela pessoalizar, aí vamos

responder com os instrumentos que temos. A eleição de primeiro

turno merece aplauso, da maneira que nós conduzimos, mas também reconheço nas outras campanhas.

  • Já ligou para o Camozzato?

Falei com ele domingo.

  • Como foi a conversa?

Foi boa, amistosa, sou amigo dele. Também falei com o governador (Eduardo Leite). Amanhã (hoje) temos um encontro.

  • Falaram sobre eleição?

Falamos sobre a eleição, falei com o Moisés Barboza (presidente municipal do PSDB) sobre eleição. O Moisés e o Gilson Padeiro

(PSDB) são vereadores muito parceiros da base do governo.

  • Há expectativa de um apoio direto do governador?

Ele disse que conversaria, mesmo havendo uma autonomia

municipal, por se tratar da Capital. O tempo é dele. Há uma afinidade política e partidária entre vocês. Uma coisa é o governante, outra coisa é o ser político. Ele teve todo o direito de tomar a decisão dele de apoiar a Juliana. Só que a Juliana não está mais na eleição. E acho que o Eduardo está muito mais próximo do nosso campo político – ele, pessoalmente, como o governo que ele lidera.

  • Ligou para a Juliana?

Ainda não. Mas eu vou falar com ela, só não consegui ainda. Tenho relação histórica com o PDT. Falei com o presidente municipal, o José Vecchio Filho, com o (vereador do PDT) Márcio Bins Ely, vou falar com o Vieira da Cunha, Romildo (Bolzan), Pompeo (de Mattos). Quem quer ganhar a eleição tem que dialogar com a população e com as composições que vieram do primeiro turno.

  • Vai procurar o União Brasil? Thiago Duarte adotou uma postura bastante crítica ao senhor durante a campanha.

Ele fez uma manifestação dizendo que ficaria neutro. Agora, o União é maior do que o Thiago. Tem o (Luiz Carlos) Busato, de Canoas, que é meu amigo. Nacionalmente, tem o meu conterrâneo (Ronaldo) Caiado, vou falar com ele.

  • Bolsonaro participará mais nesse segundo turno?

O Bolsonaro sempre é bem vindo. Essa decisão de vir para o RS é deles. O PL tem eleição em Pelotas, Canoas, Caxias do Sul. Se o Bolsonaro vier ao RS, com certeza vem a Porto Alegre.

  • Pode partir da sua campanha o convite?

Ele é sempre bem-vindo. Até porque muitas das pautas que o Bolsonaro defende estão incluídas no nosso governo.

  • A população de Porto Alegre, através das urnas, chancelou sua resposta às enchentes?

Não. Acho que a população julgou a minha atuação na enchente, continua ainda, mas julgou os feitos do governo nos quatro

anos como um todo. É uma conjugação, não é só a enchente.

  • Vai se licenciar?

Mais para a reta final provavelmente eu tire licença. Não nessa semana.

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