*Por Flávia Simões, Rafael Renkovski e Diego Nuñez
Faltando cinco dias para o primeiro turno de votação, as candidaturas de Maria do Rosário (PT), Juliana Brizola (PDT) e Sebastião Melo (MDB) têm adotado diferentes estratégias mirando o segundo turno da disputa em Porto Alegre.
Reforço da militância
Interlocutores da campanha de Maria do Rosário (PT) à prefeitura de Porto Alegre reconhecem o medo dos eleitores adotarem um possível voto útil, tirando a candidata do segundo turno e dando espaço para Juliana Brizola (PDT), que vem apostando no discurso, com base em algumas pesquisas de opinião, de que ela seria a única a vencer Sebastião Melo (MDB) no segundo turno. Apesar disso, a campanha está confiante de que isso não ocorrerá, dado, entre outros motivos, pelo principal trunfo dos petistas: uma militância engajada.
Para impulsionar a candidatura nesta reta final, a aposta é investir no discurso que “deixe nítido” não só as propostas diferentes de Rosário e sua capacidade cumpri-las, mas também a qual campo político cada uma das candidatas pertence – uma vez que Juliana conta com o apoio do governador Eduardo Leite (PSDB), governo ao qual o PT faz oposição.
Apesar disso, Rosário reforçou que sua “briga” não é com Juliana, não foi durante a campanha e não deverá ser nestes últimos dias. “Ela é uma boa candidata, assim como eu também sou”, afirmou.
Assim, para os próximos dias, o objetivo é mobilizar as pessoas para irem às ruas defender a candidatura e reforçar o discurso de Rosário no segundo turno. A candidata também promete bastante “pé na rua”, para garantir esse contato intenso nos próximos dias, ainda que nesta segunda-feira a mesma tenha tido uma agenda restrita somente para a gravação de programas eleitorais.
Outra aposta petista é que, apesar da rejeição de Rosário, uma disputa ao segundo turno torne as coisas mais equânimes. Isso porque Melo conta, neste primeiro turno, com o dobro do tempo na propaganda de TV e Rádio na comparação com as duas adversárias. Com tempos iguais, será possível mostrar “a cidade de verdade” e fazer uma campanha mais ostensiva.
Enquanto isso não acontece, os últimos programas no rádio e TV de Rosário, que terminam nesta quinta-feira, deverão priorizar uma mensagem mais “objetiva e propositiva” para as pessoas, defende a petista.
Agenda de rua
Juliana Brizola (PDT) não esconde o otimismo com a campanha ao caminhar pela cidade, assim como seus apoiadores. Nos bastidores, membros da campanha, candidatos do partido à Câmara e demais apoiadores debatem o recente levantamento, que mostrou movimento crescente. Para manter o ritmo, a aposta da equipe é na manutenção das estratégias utilizadas até o momento, mas com “muita rua”.
E foi exatamente isso que ela fez ontem. Em passeata pelo Beco do Adelar, no bairro Aberta dos Morros, Zona Sul, a pedetista observou, com moradores, os problemas da região e afirmou que não mudará de atitude nesta reta final.
Mesmo assim, uma mudança estará presente nos discursos: o reforço no pedido pelo voto útil, relatou Juliana. Porém, não pretende aumentar o tom de críticas aos demais candidatos. “Não é o perfil dela e nem das eleições pós-enchentes”, complementou Paulo Loiola, marqueteiro da campanha pedetista.
A candidata comentou que as críticas que faz a Melo não são pessoais, mas tratam da gestão da cidade. “Não posso esconder a fila na saúde, por exemplo”, diz. Sobre Rosário, a candidata tenta emplacar argumentos críticos sobre a “falta de articulação” da petista.
Se for para o segundo turno com o atual prefeito, ela afirma que quer o apoio de Rosário, mas com condições. “Não adianta dar apoio e não sentar com o diferente.” A sua coligação, além do União Brasil, também tem, no papel, a federação PSDB e Cidadania. O partido do vice demonstra um apoio relevante ao PDT, mas a federação tem poucos quadros na campanha de Juliana, já que a maioria está dando suporte, mesmo que informal, a Melo.
A maior expectativa da semana, segundo a equipe da candidata, é o último debate com os postulantes ao Paço Municipal. Para a campanha, o encontro é tratado como decisivo, já que apenas Melo, Rosário e Juliana estarão presentes.
No mesmo tom
O prefeito Sebastião Melo (MDB) deve manter o tom que tem utilizado até aqui. A campanha que busca a reeleição não se abalou com o possível crescimento de Juliana Brizola, apesar de a pedetista ser uma preocupação de primeira hora dos emedebistas. Internamente, articuladores da campanha acreditam ser muito improvável que Juliana possa chegar ao segundo turno. Portanto, a tendência não é alterar o planejamento estratégico para os próximos dias.
Assim como suas concorrentes, a perspectiva é aumentar a presença nas ruas. O prefeito ainda avalia se irá tirar licença do Executivo para focar na disputa, a depender do volume de chuvas desta semana. Enquanto isso, começa a intensificar a campanha, tendo agendas de candidato em horário de prefeito durante o dia de hoje.
Na programação, estão previstos encontros com o Sindicato de Motociclistas durante a tarde. Além disso, à noite, assim como já tem feito desde o início da campanha, Melo deverá participar de, ao menos, dois encontros com apoiadores de candidaturas à Câmara de Vereadores.
Anteontem, um domingo, Melo realizou um grande ato que reuniu apoiadores que lotaram o espaço na Casa do Gaúcho – mesmo palco onde o PL fez a convenção que lançou a vice-candidatura de Betina Worm e que contou com a presença do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Quero ser reeleito para fazer mais e devolver em dobro o que esta cidade me deu de oportunidades”, enfatizou ele, diante da militância.
O ato teve como objetivo manter o fôlego da campanha nesta reta final, garantindo mobilização contínua até o fatídico 6 de outubro, data do primeiro turno.
Ontem, compromisso com a Fundação Thiago Moraes Gonzaga – Vida Urgente, no Tecnopuc. No encontro, o prefeito recebeu uma carta/manifesto com propostas para a mobilidade urbana e preservação da vida no trânsito, elaborado por integrantes do projeto Voto Pela Vida. No final da manhã, teve encontro com engenheiros.
