Eleições

Maranata e Gabriel acusam Zucco e Juliana de “bate-bola” em debate ao Piratini

Candidatos do PL e do PDT negam combinação e afirmam que não foram ao estúdio para brigar

Concorrentes ao Piratini trocam propostas e cobranças sobre saúde, infraestrutura, bets e contas públicas
Concorrentes ao Piratini trocam propostas e cobranças sobre saúde, infraestrutura, bets e contas públicas Foto : Rádio Gaúcha / Youtube / Reprodução / CP

Quatro dos candidatos ao governo do Estado participaram, na manhã desta sexta-feira, 25, de debate, a pouco mais de uma semana do primeiro turno. O encontro começou em tom ameno, com Luciano Zucco (PL) e Juliana Brizola (PDT) escolhendo um ao outro na primeira rodada, mas ganhou embates mais duros com o passar dos blocos. Gabriel Souza (MDB) e Marcelo Maranata (PSDB) criticaram a postura dos adversários e os acusaram de combinar um “bate-bola” para evitar o confronto direto.

Em quase duas horas, temas como saúde, desenvolvimento econômico, impostos, relação com o governo federal, infraestrutura, concessões, segurança e prevenção a desastres pautaram a discussão, que ocorreu na Rádio Gaúcha. Além das rodadas em que escolhiam o adversário, os candidatos responderam a perguntas de jornalistas do grupo.

As conversas extrapolaram, em alguns momentos, as propostas e passaram ao histórico dos candidatos e das gestões às quais estão ligados.

Saúde

A saúde abriu o debate e voltou ao centro da discussão ao fim da conversa. No primeiro bloco, tema livre, Zucco citou uma fila de 850 mil gaúchos e prometeu ampliar a telemedicina, enquanto Juliana apostou no Pró-Hospitais, programa de sua autoria na Assembleia Legislativa que direciona parte do ICMS a hospitais filantrópicos. Gabriel contestou os dois ao afirmar que o programa rende cerca de R$ 60 milhões por ano e que a telemedicina já funciona no Estado.

Na reta final, a pedetista questionou a promessa do vice-governador de zerar as filas no primeiro ano de governo. Gabriel atribuiu o problema à defasagem da tabela federal do SUS e defendeu o SUS Gaúcho, que já teria retirado 110 mil pessoas das filas. Juliana rebateu que o programa só ganhou força no fim da atual gestão.

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Concessões e pedágios

As concessões de serviços e rodovias renderam algumas das críticas mais detalhadas ao governo estadual. Questionado por Juliana sobre falhas no fornecimento de energia e água, Zucco disse ter votado a favor das privatizações e que votaria novamente, mas cobrou uma agência reguladora forte e sem interferência política. O deputado citou reclamações de prefeitos sobre a Corsan e listou concessões que não saíram do papel, como as do Cais Mauá, do zoológico e da rodoviária. Nas estradas, chamou a atual gestão de “governo do pedágio”.

Juliana disse não ser contra a venda de estatais, desde que feita “com muito critério” e com fiscalização dos contratos. A pedetista, que votou contra as privatizações na Assembleia, destacou que serviços essenciais lideram hoje as reclamações no Procon e que mais de 30 mil pontos seguiam sem luz no Estado.

Maranata foi o único a se declarar contrário à concessão de estradas. Classificou como “uma vergonha” a privatização da CEEE, hoje operada pela Equatorial, e lembrou o fim do pedágio de Guaíba em sua gestão, que, segundo ele, atraiu 27 novos empreendimentos imobiliários à cidade.

Gabriel rebateu que a modelagem das concessões gaúchas foi feita pelo BNDES, o mesmo banco que estrutura projetos do governo federal e dos governos de São Paulo e do Paraná. O emedebista listou obras em andamento, como a duplicação entre Farroupilha e Garibaldi, o contorno norte de Caxias do Sul e a duplicação da RSC-287 em Santa Cruz do Sul.

Economia e impostos

Desenvolvimento econômico e carga tributária também apareceram repetidamente. Maranata destacou a trajetória no comércio, defendeu desburocratização, incentivo a pequenos e médios empreendedores e a criação de 2 mil escolas de empreendedorismo. O tucano também levou ao debate as apostas online e o endividamento das famílias.

No confronto com Juliana, o tucano questionou a relação da candidata com o setor empresarial e citou um vídeo sobre uma visita dela à Fiergs. A pedetista classificou o episódio como recorte, disse não estar ali “para fazer corte, para fazer meme” e rejeitou a ideia de oposição entre desenvolvimento, atuação do Estado e proteção ambiental.

“O que eu acredito é na união do povo gaúcho em prol daquilo que todos nós queremos, do pequeno, do médio e do grande: um desenvolvimento que não deixe ninguém para trás”, disse.

Zucco colocou o crescimento como eixo de seu projeto e lembrou que a Assembleia barrou tentativas de aumento de impostos nos últimos governos. Para o candidato do PL, o Estado precisa atrair investimentos, melhorar a infraestrutura e criar condições para manter os jovens no Rio Grande do Sul.

“Nós precisamos voltar a crescer. O Rio Grande precisa crescer, gerar dinheiro novo”, afirmou.

Perguntas dos jornalistas

No segundo bloco, jornalistas do grupo fizeram perguntas aos candidatos, em ordem definida por sorteio.

➡️ Marcelo Maranata foi o primeiro a responder, questionado por Rosane de Oliveira sobre as concessões de rodovias, às quais havia se declarado contrário no bloco anterior. O tucano defendeu cortes nas despesas dos três Poderes e novas fontes de receita, como a participação do Estado na produção de energia eólica.

➡️ Juliana Brizola foi cobrada por Giane Guerra sobre a origem dos recursos para suas promessas diante do aperto nas contas. A pedetista afirmou que o crescimento não virá do aumento de impostos, criticou o atual modelo econômico e apostou na articulação com o governo federal.

➡️ Gabriel Souza respondeu a Kelly Matos sobre a estrutura das delegacias especializadas no atendimento à mulher. O vice-governador prometeu ampliar a rede dentro de um programa de combate à violência doméstica.

➡️ Luciano Zucco fechou a rodada com uma pergunta de Matheus Schuch, direto de Brasília, sobre o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). O candidato do PL sinalizou que vai aderir e buscar apoio de governadores do Sul e do Sudeste em Brasília.

Antes, o candidato do PL aproveitou a resposta para rebater a acusação de dobradinha, declarou “grande respeito” por Juliana e disse que um governador não pode “ficar de picuinha”. A pedetista havia seguido a mesma linha minutos antes. Ao responder às provocações de Maranata, lembrou que sua coligação reúne oito partidos de posições diferentes e afirmou: “Eu não vim aqui para brigar com o Zucco, eu vim aqui para colocar as minhas propostas”.

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Maranata eleva o tom

O tucano endureceu o discurso na última rodada e mirou os três adversários ao mesmo tempo. “Vocês vivem numa bolha. Brasília vive numa bolha. Alto salário, só vivem da política. E essa política que vive da política não resolveu o teu problema”, afirmou.

Ao responder a Zucco sobre impostos, questionou a experiência dos rivais fora da política. “Vocês nunca abriram uma empresa, vocês nunca abriram um negócio. Eu queria saber onde está a carrocinha de pipoca que vocês, em algum momento da vida, tiveram que cuidar”, provocou. Maranata disse ter uma campanha “bem pequenininha”, com pouco dinheiro, e acusou Zucco e Juliana de faltarem a 20 debates apesar dos altos investimentos em publicidade.

Zucco, por sua vez, respondeu que “escutou quem deveria escutar”, o povo gaúcho, e disse que o adversário estava “muito nervoso”.

Se os primeiros confrontos tiveram momentos de concordância e manifestações de respeito, os últimos momentos foram marcados por cobranças mais incisivas.

Nas considerações finais, os quatro retomaram seus principais eixos. Zucco enfatizou crescimento econômico e mudança na condução do Estado; Maranata voltou a falar em empreendedorismo e apresentou sua candidatura como alternativa; Gabriel defendeu a continuidade de políticas da atual gestão, com mudanças em áreas que considera necessárias; e Juliana destacou experiência política, diálogo e propostas para saúde, educação e desenvolvimento.

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