Eleições

Mudei meu nome para Dilma nesta eleição, diz Lula

Presidente disse que candidata já estava com cara de chefe do Poder Executivo nacional

Na convenção nacional do PT, em que foi formalizada a candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República, realizada neste domingo em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que falou pouco antes de Dilma, levantou a bola da candidata. Disse que ela já estava com cara de presidente e descartou a estratégia de tentar transformar a própria popularidade em votos para Dilma.

Lula ressaltou que esta será a primeira eleição desde a redemocratização que não será candidato, mas que o nome dele estará na cédula de votação como Dilma. "Vai ficar um vazio nessa cédula e para que esse vazio seja preenchido eu mudei de nome e vou colocar Dilma lá na cédula", afirmou o presidente. O jingle que tocava no auditório, seguia o mesmo tom. "Lula tá com ela, eu também tô, veja como o Brasil já mudou".

Lula e o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, dirigiram críticas aos adversários. Sem citar o nome de José Serra, candidato do PSDB a presidente, Lula pediu que a oposição faça uma campanha de alto nível. "E não façam jogo rasteiro inventando dossiê todo dia", disse, fazendo referência a reportagens recentes que revelaram que integrantes da campanha do PT estariam investigando ilegalmente integrantes da cúpula do PSDB.

Ao se dirigir a Temer e Dilma, Lula pediu "tranquilidade" porque "o bicho vai pegar" nos próximos três meses que antecedem à eleição. "Tenho certeza que muita gente que aparece com cara de anjo na TV faz o que fez comigo em 2006", disse o presidente, em alusão ao episódio dos aloprados.

Dutra rebateu afirmação feita ontem por Serra, em Salvador, ao lançar sua candidatura, quando afirmou que com o governo tucano "o povo brasileiro não teria surpresas". Dutra respondeu: "Realmente o povo brasileiro não teria surpresas porque já conhece o fracasso do governo que ele participou". O presidente do PT afirmou ainda que "o governo que ele (Serra) participou provocou um apagão de 11 meses no Brasil".

Mulheres

A maioria dos cerca de 1,5 mil convidados era mulher na Convenção Nacional do PT. A organização da campanha distribuiu centenas de bandeiras roxas com a inscrição "A vez e a voz das mulheres" para os militantes empunharem. A mestre de cerimônias dava as palavras de ordem, e todas repetiam: "Brasil, Brasil é das trabalhadoras". "Vocês estão demonstrando que 100 mulheres são capazes de fazer mais barulho que mil homens", observou Lula às mulheres ao pegar o microfone.

O Hino Nacional foi cantado pelo grupo Samba de Rainha, formado só por mulheres, e a cantora Virgínia Rodrigues. Ao final da apresentação, Virgínia fez uma narração de um vídeo que mostrava o nome de mulheres idolatradas no Brasil, como Anita Garibaldi, Princesa Isabel, Chiquinha Gonzaga, Pagu e Clarice Lispector. Maria da Penha, que inspirou a criação da lei de combate à violência doméstica, acompanhou Dilma Rousseff no palco.

Discurso

Na sua vez de falar, Dilma Rousseff leu o discurso preparado pela assessoria da campanha na íntegra, e não ousou improvisar. Antes de iniciar um novo tópico, Dilma abusou do slogan "Para o Brasil seguir mudando" e não poupou elogios aos êxitos do governo Lula do qual ela participou como ministra da Casa Civil.

A candidata falou da importância dos investimentos em educação, saúde, inclusão digital e segurança. Como promessa de campanha, disse que vai erradicar a miséria nos próximos anos. "Vamos transitar de país emergente para país desenvolvido no qual a população desfruta de serviços públicos adequados, educação de qualidade e bons empregos. Esta é a missão que o PT e os partidos aliados colocam em minhas mãos".

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