*Por Mauren Xavier e Rafael Renkovski
O Correio do Povo continua a série de entrevistas com os quatro candidatos à prefeitura de Porto Alegre de partidos sem representação no Congresso Nacional. Em meia hora, Cesar Pontes (PCO) fala dos desafios da sua candidatura e dos problemas da cidade. A seguir, os principais trechos.
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Quem é Cesar Pontes?
Nasci em Porto Alegre, em 1957, tenho 67 anos. Tive uma vida normal até o meu casamento. Casei com 31 anos, já era formado em História pela PUCRS e fui professor durante alguns anos em escolas particulares. A minha esposa era médica psiquiatra, mas teve uma trajetória infeliz na Febem. Comecei a tomar gosto pela política a partir de 2006 com o mensalão. Até então, eu tinha uma mentalidade mais reformista. Então, eu fui tomando gosto por leituras mais críticas e li as principais obras clássicas do marxismo. A partir de 2012, começaram a aparecer os programas do PCO com as análises do nosso presidente Rui Costa Pimenta e foi um ponto de conexão importante. Comecei a participar mais da vida política e estive presente em dois movimentos que organizavam manifestações em Curitiba, que foi cidade em que permaneci durante 15 anos.
O que representa a candidatura do PCO à prefeitura de Porto Alegre?
Antes de tudo, é preciso ficar claro que a essência do nosso projeto é fazer com que a população governe. Nós somos um partido comunista, que tem por objetivo imediato, justamente, politizar os trabalhadores e a população em geral para que eles se organizem. Principalmente, aqueles que são considerados excluídos do sistema, para que se organizem e adquiram a chamada consciência de classe, que tem que ocorrer concomitantemente no processo de luta. Quanto mais a pessoa atua politicamente mais consciência, ela vai tomando da sua própria condição.
Se eleito, quais seriam as suas prioridades?
Nós não temos nenhuma ilusão com relação à nossa participação no pleito, mas estamos aproveitando esse espaço de tempo, nós estamos na vitrine. Nós temos bons argumentos que convencem as pessoas racionais. A minha candidatura não é propriamente uma candidatura individual, é do partido. As coisas que estou expondo aqui para vocês não saíram da minha cabeça, isso foi fruto de uma discussão exaustiva em espaço próprio.
O próprio plano de governo do PCO é o mesmo em todo o país. O que o senhor traz de discussão para essa eleição de Porto Alegre?
Trago a discussão das liberdades democráticas. Liberdade de expressão irrestrita, direito ao armamento para toda a população, direito de greve irrestrito e o fim da Polícia Militar.
Existiria maturidade para uma população armada sem policiamento?
Nós temos que tratar isso aí com muita responsabilidade, estamos propondo que esse tipo de coisa seja aplicada como um experimento.
O PCO, que é caracterizado como um partido de extrema-esquerda, se junta em alguns aspectos com a extrema-direita. Como o senhor lida com isso?
Quando a liberdade de expressão, o nosso partido defende isso como um princípio há mais de 40 anos, desde que surgiu dentro do PT. A gente não está aproveitando um modismo, nós estamos preocupados com isso. Existe essa proximidade (com a extrema-direita), mas ela leva pessoas a confundirem as coisas. Essa defesa da liberdade de expressão por parte do pessoal de direita não é um princípio, é um mote que está servindo para tentar ganhar alguma capilaridade junto à população. Não existe nada mais contraditório do que se apresentar como um defensor da liberdade de expressão e fazer apologia a um torturador em um parlamento.
Sobre educação, qual proposta o senhor teria, se eleito?
Uma educação municipal gratuita. Para isso, nós temos que ter o apoio da população e, nós só teremos apoio, se organizarmos a população no sentido de fazer com que ela perceba os seus próprios problemas. E que participe da educação dos filhos tendo o poder decisório, tendo o controle sobre o que acontece dentro dessas escolas. Os pais devem participar, os funcionários devem participar, os educadores devem participar. Até mesmo as crianças podem participar, porque elas também podem opinar, embora não sejam cidadãs completas.
Se eleito, após quatro anos, qual o senhor gostaria que fosse a manchete do Correio do Povo sobre o mandato?
A afirmação mais importante seria que a população precisa se organizar e administrar os serviços públicos. Com poder decisório, com poder de controle. Se isso não acontecer, se nós deixarmos a critério dos prefeitos e suas equipe, a cidade vai ser administrada pelos ricos.
Acha que isso é possível?
As pessoas amadurecem experimentando a vida. O nosso partido representa uma vanguarda em defesa da causa operária, então nós alertamos as pessoas, os trabalhadores, as pessoas mais humildes para que elas saibam quem são os amigos e quem são os inimigos.
