“É uma lambança. É esse o termo que a gente precisa utilizar”, avalia a colunista Taline Oppitz, sobre a prorrogação de última hora no período de votações. A decisão de postergar o encerramento das votações para as 19h em todo o País partiu do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), e foi comunicada pouco depois das 17h, quando algumas urnas já haviam sido fechadas.
"O que estamos acompanhando agora é inédito. Já aconteceu de pessoas que estão na fila receberem senhas para votar depois. Mas uma ampliação em todo o País nunca tinha acontecido”, pondera Taline, em Live de Apuração realizada pelo Correio do Povo. Ela que a demanda por prorrogação partiu de ambas as coligações, mas com ressalvas.
“Aconteceram solicitações das duas coligações. A [coligação] do Lula, do PT, para que a votação fosse ampliada em todo o País, em função dessa questão de problemas no transporte em, pelo menos, oito Estados. E a coligação do Flávio Bolsonaro, do PL, também fez uma solicitação. Ambas, em um primeiro, momento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A [solicitação] do Flávio era mais restrita, pedia para alguns Estados, algumas cidades de São Paulo, Santa Catarina e Paraná. Não era para todo o País.”
A entrada do Supremo Tribunal Federal na narrativa veio após a omissão do presidente do TSE, o ministro Kassio Nunes Marques. “E aí, vem a continuidade da lambança. O ministro Zanin toma a decisão, após as 17h, de forma monocrática, sem detalhamento da decisão”, ressalta a colunista, que destaca que após as urnas serem fechadas não há possibilidade de reversão do processo.
“A comunicação oficial do TSE, assinada pelo ministro Nunes Marques, aos Tribunais Regionais Eleitorais do País, afirmando que a determinação até as 19h precisava ser obedecida nos locais onde as urnas ainda não haviam sido fechadas tem horário das 17h59. Então, é uma esculhambação generalizada.”
Anulação das eleições parece “pouquíssima provável”
“Vai levar a uma anulação das eleições? Acho pouquíssimo provável, mas não há duvidas de que deixa margem para que o derrotado coloque o resultado em cheque”, aponta a colunista.
Para Taline, a prorrogação de última hora pode repetir o cenário de 2022, quando as urnas foram descredibilizadas pelo derrotado Jair Bolsonaro (PL) e seus apoiadores. Essa “reedição” virá, contudo, em um cenário distinto. "Na época, não tinha motivo para colocar as urnas em cheque, mas agora há margem sim para isso acontecer pelo derrotado, independentemente de quem ele seja.”
"Tem artilharia para os dois lados dessa narrativa de atuação política de ministros. Eu imagino a irritação de integrantes do TSE com essa decisão do Zanin, apesar da omissão do Nunes Marques, porque o Zanin não é nem integrante do TSE”, pondera.
Acompanhe a Live de Apuração das eleições de 2026 no canal do Youtube Correio do Povo Play.
