Evoluíram na quarta-feira as negociações entre o PSDB e o PP para que os progressistas apoiem uma chapa encabeçada pelo deputado Nelson Marchezan Jr. (PSDB) na disputa pela prefeitura de Porto Alegre. Mas o pré-candidato do PMDB e vice-prefeito Sebastião Melo, que também negocia para ter o PP em sua aliança, ainda não jogou a toalha. “O partido está entre Melo e Marchezan, mas é verdade que o PSDB tem mais a ver com o nosso DNA. Também fazemos reflexão sobre se vale ter um candidato só (Melo) do nosso campo, porque essa certamente é uma eleição com segundo turno”, resumiu, ao final do dia, o presidente municipal do PP, vereador Kevin Krieger. “Nossas conversas estão muito bem encaminhadas e vamos fechar com o PP”, afirmou Marchezan.
O tucano precisa do PP para viabilizar sua candidatura e, além da vaga de vice, ofereceu amplo espaço à sigla. Entre progressistas, Marchezan tem o apoio das alas ligadas a movimentos de rua como o MBL e o Vem Pra Rua, apontadas como representativas de lideranças jovens da legenda e conhecidas como parte da “nova direita”.
Melo tem a preferência de quase toda a bancada progressista na Câmara de Vereadores. Mas não garante a vaga de vice ao PP, porque a reserva ao PDT, uma vez que a hipótese de o pré-candidato pedetista Vieira da Cunha desistir da disputa é cada vez mais concreta.
Na quarta-feira, lideranças do PP e do PSDB descartaram a possibilidade de aliança em torno da candidatura de Vieira, que procurou a ambas as siglas na terça-feira. “A comitiva do Vieira sugeriu que o Marchezan retirasse sua candidatura e se unisse ao PDT e ele só não respondeu com um não direto por delicadeza. Porque todos sabem que essa união com o PDT seria mesmo muito complicada”, destacou uma das lideranças tucanas que acompanha Marchezan. “No PP seria muito difícil a candidatura do Vieira prosperar. Ele ficou para trás, até por uma questão nacional”, completa Krieger.
O fato do PDT não conseguir viabilizar sua candidatura também entra no cálculo do PP a favor de Marchezan, porque os progressistas consideram que, por toda a conjuntura que já existe na administração municipal, os pedetistas terão prioridade na coligação encabeçada por Melo, o que automaticamente diminui o espaço do PP. Na disputa pelos progressistas, o PSDB já começou a subir o tom. Ontem, Marchezan criticou as articulações do PMDB. “O PSDB terá candidato. Agora é verdade que vai ficar difícil se as máquinas municipal, estadual e federal comprarem todos os partidos.” A postura do deputado tem causado irritação em Melo, que “pisou no freio” nas conversas que vinha mantendo também com os tucanos.
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