Eleições

PTB avalia futuro da chapa em Porto Alegre e adversários adotam cautela

Enquanto isso, nos bastidores, começaram cálculos e disputas sobre possibilidades de migração de votos de Fortunati

A empolgação inicial que acometeu parte dos apoiadores da candidatura de Sebastião Melo (MDB) à prefeitura depois que o TRE indeferiu, na segunda-feira, o registro da candidatura do vice na chapa de José Fortunati (PTB), deu lugar a cautela. Após especulações a respeito da possibilidade de renúncia de Fortunati e apoio a Melo (alternativa que ainda pode acontecer) ao invés de recurso da coligação do petebista ao TSE, na manhã desta terça-feira articuladores do MDB já consideravam que, “muito provavelmente”, a chapa encabeçada por Fortunati vai recorrer da decisão e se manter na disputa.

Na segunda, uma hora depois de o TRE proferir o veredicto, Melo ligou para Fortunati. Externou sua solidariedade e destacou seu respeito pelo antigo companheiro (o emedebista foi vice de Fortunati em seu segundo mandato à frente da prefeitura, entre janeiro de 2013 e dezembro de 2016). O candidato confirma que fez o contato telefônico. Mas repudia qualquer especulação sobre articulações. “Foi apenas para prestar solidariedade, como não poderia deixar de ser”, resume.

O PTB, por sua vez, se fechou em copas, sem declarações públicas de lideranças até o início da tarde desta terça. Fortunati se manifestou via twitter pela manhã, considerando a decisão do tribunal um golpe na candidatura e apontando que ela ocorreu após o prazo previsto na legislação. A coligação emite notas desde a segunda. Na primeira, anunciou que aguarda o acórdão (a ser publicado na tarde desta terça) para recorrer.

Os movimentos de bastidores, contudo, é que são acompanhados com atenção pelo entorno de Fortunati, o MDB, o PSDB (que tem como candidato à reeleição o prefeito Nelson Marchezan Júnior) e o PCdoB. Porque, ainda na segunda, ao mesmo tempo em que chegavam aos emedebistas sinais de que lideranças petebistas tinham disponibilidade em conversar sobre um eventual apoio a Melo, também corriam informações de que há, no PTB, quem prefira a independência. Com apoio, mesmo que informal, à candidatura de Manuela D’Ávila (PCdoB). As informações sobre movimentos de aproximação de lideranças do PTB em direção ao PCdoB são monitoradas pelo PSDB desde o final da semana passada. Nas periferias da cidade, lideranças comunitárias que fecharam com Fortunati, mas apoiam candidatos a vereador de outras siglas, como PT e MDB, já eram contabilizadas.

Na aliança liderada pelo PSDB, a narrativa sobre um eventual apoio do PTB a Melo está pronta: após se dividirem e não conseguirem fazer o impeachment do prefeito, os ex-aliados voltariam a se juntar,  mudando a estratégia, mas com o mesmo objetivo de tentar tirar o tucano da corrida. Em síntese, na avaliação de um interlocutor do prefeito: “tentativa de golpe dupla”.

A avaliação de que o apoio do PTB coloca Melo automaticamente no segundo turno, em função da transferência na preferência de eleitores, também é pesada pelos partidos. “Eu não teria esse otimismo todo. Por vários motivos. O primeiro é que o autor da ação contra o vice do Fortunati é do PRTB, que está com o Melo. A segunda é que o Fortunati pode até vir a ser abatido nesta briga, mas fará isso com dignidade. E, em caso de migração de votos, ela será pulverizada, e para vários candidatos”, analisa Márcio Cabreira, coordenador da campanha de Manuela. Segundo ele, a coligação não vai fazer “nenhuma tentativa de assédio” sobre o PTB e manterá “absoluto respeito ao Fortunati”. “Porém, evidente que se existirem lideranças que quiserem apoiar a Manuela, serão muito bem-vindas”, ressalva.

Os dissabores não se resumem ao PRTB. Internamente, no PTB, a ligação de integrantes do DEM com o Patriota e o papel atribuído a uma liderança do DEM na definição do vice de Fortunati, que é do Patriota, também estão sendo lembrados. Para completar, o DEM tem o vice na chapa de Melo e também rachou durante as articulações para a formação das alianças, optando pelo MDB.

Por fim, petebistas pesam as consequências a médio prazo de um recuo a esta altura da corrida, seguido de qualquer apoio público a uma candidatura específica. Porque, nessa situação, em caso de a chapa escolhida ir para o segundo turno mas não ser a vencedora, as possibilidades de ocupação de espaços em uma futura administração municipal ficariam mais restritas.

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