Anunciado pelo governador eleito Luciano Zucco (PL) como seu líder na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, o deputado estadual Guilherme Pasin (PP) acredita que uma das questões que pode mobilizar tanto a base, quanto a oposição – que deve ser ocupada pelos partidos de esquerda – é a necessidade de reformas. O parlamentar foi entrevistado na sexta-feira pelo podcast Matriz, do Correio do Povo, e também esteve na Rádio Guaíba.
“O RS, nos últimos 20 ou 25 anos, é o Estado que menos cresceu na federação. Isso precisa ser compreendido como algo que não está certo. Eu não quero personalizar o governo, de forma alguma, mas estou fazendo uma linha do tempo para entender um corte”, indicou, colocando que esse pode ser um ponto de harmonia dentro do parlamento.
Pasin foi prefeito de Bento Gonçalves entre 2013 e 2020, sendo eleito para o segundo mandato na Assembleia no pleito deste ano. De fala calma, o deputado reforçou o tom conciliador e de valorização dos parlamentares dentro do governo como seus focos. A liderança será um dos seus principais desafios. “Fui reconhecido pelo governador Zucco e pela vice-governadora Silvana Covatti (PP) como alguém de composição. Minha forma de trabalhar é essa, não tenho argumentos extremos, nem trato as pessoas com descortesia ou falta de respeito”, argumentou Pasin.
Discussões
Já nas pautas que devem gerar embates e discordâncias, Pasin tenta ser pragmático e deposita a esperança que os colegas sigam pelo mesmo caminho, usando de exemplo as escolas cívico-militares. O deputado indica que usar os indicadores de escolas comuns comparado ao modelo defendido por Zucco. “O modelo para mim é menos importante do que o resultado para o aprendizado dos jovens. Se não for isso, bom, o assunto é outro. Não é educação, é ideologia. Eu não quero falar de ideologia”, pontuou.
O novo líder do governo se coloca contrário a alterações do Código Ambiental. No entanto, há ressalvas sobre como essa questão é tratada atualmente. “Todos queremos garantir para a próxima geração uma sociedade mais equilibrada, sustentável. Eu quero falar muito sobre forma, prazos de licenciamento, custos da taxa sobre a atuação fiscal”, indagou.
Sem sair da questão ambiental, Pasin, que articulou a Política Estadual de Apoio e Fomento ao Desassoreamento de Corpos Hídricos Superficiais em 2025, indica que seguirá defendendo essa estratégia no próximo mandato. No entanto, frisa que buscará entender em quais situações pode ser uma alternativa e também melhorar a técnica empregada no processo.
“Nós vamos conversar e buscar todo o embasamento técnico para fazer a evolução. Me desculpa, não me parece que as alternativas sejam a retirada de uma cidade ou o deslocamento de uma sociedade inteira para outro lugar”, pontuou, referindo-se às reconstruções de áreas afetadas pelas enchentes.
Pasin também sinalizou que seguirá na defesa de uma reformulação das políticas relacionadas ao turismo, que é uma bandeira do parlamentar desde o primeiro mandato. “Uma reestruturação do turismo do RS, da percepção como negócio e prosperidade, geração de emprego e de renda, a criação de distritos turísticos, distâncias turísticas. Para mim, o turismo não é mais um desejo, é uma necessidade”, comentou.
Assista ao podcast Matriz
