Após obter 3.687.126 votos (57,12%) no segundo turno da eleição estadual, o governador eleito, Eduardo Leite (PSDB), fez um discurso em prol da pacificação na noite deste domingo, no comitê central da campanha, na zona Norte de Porto Alegre. Ele começou agradecendo a generosidade do povo gaúcho e informando que o vice eleito, o deputado estadual Gabriel Souza (MDB), terá “absoluto protagonismo” na próxima administração.
O tucano agradeceu ainda a todos os partidos que integram sua coligação e às siglas e lideranças que abriram apoio a sua candidatura na corrida do segundo turno. Ele também fez um reconhecimento ao “voto crítico” do PT. “Se não vem com convergência de programas, vem na convergência em torno da democracia, do respeito, e do diálogo entre os que pensam diferente”, resumiu. O tucano se tornou, com o resultado deste domingo, o primeiro governador reeleito do RS depois da redemocratização.
Leite disse ter consciência de que muitos votaram em sua chapa mesmo tendo grandes divergências em relação ao seu mandato. “Quero dizer a eles que sei que seus votos não validam integralmente nossa agenda, o que reforça a necessidade de que façamos um governo ainda mais aberto ao diálogo, para ouvir a todos, para representar a todos.” Aos que não o escolheram, o tucano salientou que está aberto a ouvir e a construir soluções para o Estado. “O RS nos deu uma grande vitória e seremos governo para 100% dos gaúchos. Por isso, faremos um governo cada vez mais próximo da população.” Ele fez uma deferência ainda ao seu adversário no segundo turno, o deputado federal Onyx Lorenzoni (PL), informando que o ex-ministro lhe ligou para dar os parabéns, reconhecer o resultado e desejar sucesso no novo mandato.
Segundo adiantou Leite, a partir desta segunda-feira e nos próximos dias, ele vai se reunir com o atual governador, Ranolfo Vieira Júnior (PSDB), com o vice eleito e com lideranças de siglas aliadas para dar início à transição. Questionado sobre quais serão os temas principais a serem encaminhados, ele citou especificamente o desenvolvimento de um projeto consistente para a área da educação, definida como prioridade do segundo mandato. Ele afirmou ainda que em duas ou três semanas estará promovendo reuniões com prefeitos.
Apesar da insistência dos jornalistas, Leite afirmou que, por enquanto, seguirá sem dizer em quem votou para presidente da República. O tucano manteve a neutralidade em relação à corrida presidencial no segundo turno e não revelou sua escolha, em uma estratégia que visou tanto colher votos de eleitores do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como do atual mandatário, Jair Bolsonaro (PL), e se mostrou eficiente.
O governador eleito também evitou responder diretamente sobre se mantém a pretensão de tentar novamente entrar na corrida presidencial, dessa vez em 2026, apesar de o caminho, internamente, tanto no PSDB como no MDB gaúchos, ser tratado como certo. “Meu foco é inteiramente no Rio Grande. A próxima eleição é só daqui a quatro anos. É claro que o RS sempre teve muita participação na política nacional, mas a agenda nacional nunca estará acima do meu compromisso com o RS. Não podemos nem pensar em 2026 quando o povo brasileiro acaba de eleger um novo presidente da República. Temos que trabalhar para que dê certo nestes quatro anos, e não daqui a quatro anos”, comparou.
Em sua manifestação, o vice, Gabriel Souza, endossou o discurso pela pacificação e disse que Leite sai da eleição como um “grande líder nacional.” “Provamos que é possível fazer política sem ódio e preconceito, mas sim com amor e união. Nossa mensagem aqui é de pacificação, que seja um exemplo para o Brasil. Que o Brasil saia desta eleição mais pacificado, sem guerra”, conclamou.
