Sebastião Melo (MDB) foi reeleito prefeito de Porto Alegre. Após quase encerrar a disputa ainda em primeiro turno, o atual prefeito da capital gaúcha confirmou o favoritismo e venceu Maria do Rosário (PT) com 61,53% dos votos válidos, contra 38,47% de sua adversária. No total, o emedebista conquistou o voto de 406.467 porto-alegrenses e ficou mais de 150 mil votos à frente da petista.
O goiano de Piracanjuba liderou de ponta a ponta a corrida eleitoral, sem jamais estar atrás na contagem de votos, seja em primeiro ou em segundo turno.
Melo iniciou seu discurso de vitória agradecendo seus muitos aliados e prometendo união. Disse que irá governar para quem votou nele, quem votou em sua adversária e quem não votou. Prometeu que não haverá “terceiro turno”. “Vamos unir a cidade, que indicou uma caminho de mais de 60%.” Melo agradeceu o governador Eduardo Leite (PSDB) e o vice Gabriel Souza (MDB) pelo apoio e disse que irá dialogar com o governo federal, de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o estadual.
Para o prefeito, o resultado das urnas passa não apenas, mas também pela sua atuação durante as enchentes de maio, o grande tema desta eleição. “Tentaram crucificar o Melo nas enchentes, e o povo respondeu, com mais de 61%, que julgou o Melo das enchentes, mas julgou o Melo dos quatro anos de governo”, afirmou.
Ao discursar, elencou três prioridades para a próxima gestão: proteção contra cheias, que envolveria obras emergenciais e “obras futurísticas, ou seja, uma revisão completa do sistema; atenção à saúde, tema bastante destacado durante a campanha; e, na educação, prometeu zerar o déficit de vagas na educação infantil.
Fazendo um breve diagnóstico, ele avalia que acertou no tom da campanha ao buscar evitar temas nacionais e focando o debate em questões pertinentes para a cidade. Prometeu ainda realizar a concessão do Dmae no governo “Melo 2”. Porém, desta vez, disse que poderia realizar uma concessão total, não parcial, como vinha sendo divulgado. “Pode ser parcial ou total, essa decisão vamos bater o martelo e mandar para a Câmara de Vereadores”, disse o prefeito reeleito.
Sobre a Câmara de Vereadores, onde a oposição cresceu, prometeu diálogo. Seu dia eleitoral iniciou na sede do Correio do Povo, onde inaugurou uma bateria de entrevistas que teria durante a manhã. Votou por volta das 11h30 acompanhado da primeira-dama Valéria Leopoldino e reservou a tarde para descanso. Em diversas oportunidades, demonstrou preocupação com a abstenção, afirmando perceber pouco movimento nas ruas. De fato, a abstenção cresceu em relação ao primeiro turno, atingiu 34,83% dos eleitores aptos e foi novamente a maior do país entre capitais.
Transição
Apesar da continuidade no Executivo, Melo anunciou que deve instalar, ainda nesta semana, um escritório de transição. “Não será o mesmo governo”, declarou, minutos após ser reeleito.
“Nesta semana ainda, eu e a Betina (Worm, PL, vice-eleita) pretendemos anunciar o escritório de transição. Por que vamos fazer isso? É com gente de fora também. Porque, se não, quem está dentro do governo às vezes olha muito para dentro do umbigo”, discursou o prefeito, em seu primeiro pronunciamento após o término do pleito. Além de MDB e PL, que formaram a chapa vencedora, PP, PRD, PSD, Podemos, Republicanos e Solidariedade apoiam Melo desde o primeiro turno. Cidadania, Novo e PSDB se aliaram no segundo turno, totalizando 11 agremiações.
“A primeira conversa vai ser com partidos e vereadores para formar o governo. Temos um governo formado por técnicos e políticos, vai seguir isso”, indicou o prefeito reeleito. “Agora, ninguém está autorizado para falar de secretários. Esse assunto não está em pauta hoje. Quem se atropelar primeiro, vai se queimar”, avisou.