A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, disse hoje que as denúncias envolvendo seu nome são uma tentativa de derrubar sua candidatura. Dilma acrescentou ainda que não pode fazer um juízo de valor por não ter apurado informações sobre o tema. “Eu não tenho como fazer avaliação de valor como uma matéria que está no jornal. Eu não ouvi os lados”, disse. Ela ressaltou que “até o momento” confia na sua sucessora na Casa Civil.
Para Serra, a denúncia é gravíssima
Rival de Dilma na eleição, José Serra (PSDB), considerou a denuncia "gravíssima". "O Brasil tem que mudar, e a época da eleição é o momento para promover estas mudanças. Não é possível que alguns candidatos e alguns partidos achem natural que esse processo de corrupção em nosso país. Não é natural, não. Nós podemos mudar isso. Podemos mudar com eleição", disse Serra, durante visita a Goiânia.
O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), disse que o partido vai pedir à Procuradoria-Geral da República que investigue os favorecidos pelo esquema. "Não vamos nos calar, não vamos nos omitir, não temos medo de retaliação e vamos à Justiça onde quer que seja possível", afirmou Guerra. O senador lembrou que a cada reação do PSDB diante de denúncias de corrupção no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma e seus aliados se limitam a acusar o partido de adotar "ações ofensivas" e de se fazer de vítima para ganhar as eleições no tapetão.
Como funcionava o suposto esquema de propina
De acordo com a reportagem, Israel operou, pelo menos, a concessão de um contrato de R$ 84 milhões para um empresário do setor aéreo com negócios com os Correios. Chamada de "taxa de sucesso", a propina foi estimada em R$ 5 milhões e teria servido em parte para "saldar compromissos políticos".
Em abril do ano passado, quando a Casa Civil da Presidência ainda era comandada por Dilma, o empresário paulistano Fábio Baracat, dono da Via Net Express, empresa de transporte de carga aérea e então sócio da MTA Linhas Aéreas, queria ampliar a participação de suas companhias nos Correios. O objetivo era mudar as regras da estatal, de modo que os aviões contratados por ela para transportar material também pudessem levar cargas de outros clientes, arranjo que multiplicaria os lucros de Baracat e sócios.
Negócio estava fechado
Por e-mail dirigido à revista, Israel admitiu à revista ter feito o "embasamento legal" para a renovação da licença da MTA na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em dezembro. Israel também admitiu ter apresentado o empresário Baracat à mãe, mas apenas "na condição de amigo". A ministra também reconheceu a existência do encontro, por meio de sua assessoria.
O caso articula-se com a campanha de Dilma não só pela presença de Erenice no caso, pela peculiaridade de a propina ter a suposta destinação de "saldar compromissos políticos", mas também porque o escritório do filho-lobista funcionava, na prática, em uma banca de advocacia num shopping de Brasília que presta serviços à campanha de Dilma.
