Eleições

Tempo igual no rádio e TV é aposta de Rosário para o segundo turno da eleição em Porto Alegre

Candidata falou com lideranças do PDT e quer conversar com outras siglas coligadas, mesmo as afastadas do seu campo ideológico, para focar na estratégia usada por Lula de ‘incorporar propostas’

"Eu pretendo incorporar propostas", afirmou Rosário, sobre a busca de apoios
"Eu pretendo incorporar propostas", afirmou Rosário, sobre a busca de apoios Foto : Mauro Schaefer

A candidata Maria do Rosário (PT) garantiu a ida para o segundo turno nas eleições para prefeitura de Porto Alegre. Quase sem voz após uma rotina de agendas intensas na reta final da campanha, a candidata dedicou o primeiro dia do segundo turno a entrevistas e reuniões com partidos coligados, a fim de alinhar as estratégias para os próximos dias. Confira os próximos passos de campanha da petista:

  • Como mobilizar a militância e demais partidos aliados com a sua candidatura após o risco de quase não ter ocorrido um segundo turno?

Durante toda a apuração teve segundo turno, não teve um momento em que uma candidatura venceu no primeiro turno. O presidente Lula, também se diz que ele ganhou por poucos votos, mas isso não importa. Agora não importa o tamanho da votação, é uma nova eleição, uma eleição na qual nós temos tempo igual, paridade para debater a cidade. Eu sei que o prefeito, por ser o prefeito, conta com uma estrutura para respostas de véspera de eleição. Eu tenho observado isso, e isso me incomoda. Porque eu observo que a administração pública, neste momento, deveria ficar isenta. No entanto, quando nós falamos nas propostas, ele sai correndo para fazer. O que eu vou mostrar para a população é que essa tentativa de atender, na véspera de eleição, as pessoas não é coerente com o programa dele, do que ele pretende e do ele está apresentando.

  • Parte da estratégia é buscar o apoio de Juliana Brizola. Já conversou com ela?

Não, mas quando a matéria for publicada, provavelmente já terei, porque me pediram umas horas. Mas já conversei com o presidente do PDT, o ministro (Carlos) Lupi, e ficamos de conversar o mais rápido possível, é isso que a gente combinou. Hoje (ontem), às 17h, eu tenho uma reunião de balanço com os partidos que estiveram conosco no primeiro turno, já fiz contato com vereadores, vereadoras e estou em contato com pessoas de diversos partidos. Minha proposta não é pedir apoio, é, da mesma forma que o presidente Lula incorporou propostas da Simone Tebet, pretendo incorporar as propostas que foram apresentadas pelo PDT, pelo União Brasil, e até mesmo pelo Novo, como a prova que ele propõe, intermediária ao Ideb.

  • A sua candidatura fez 26,28% do votos e Juliana 19,69%. Somados, o percentual ainda não bate os 49,72% de Sebastião Melo (MDB). Como aumentar essa porcentagem?

Buscar o voto da mudança que não aconteceu. Aquele que fez o seu protesto não indo votar. A Capital com mais abstenção é Porto Alegre. O nosso objetivo é chamar, encantar, mostrar a esse eleitor e eleitora que sua participação é importante para sua vida e para a cidade. Também estou agendando uma conversa no TRE-RS para analisar a questão das urnas, a distância que as residências ficaram, como ficou nessa área alagada e nas demais áreas, porque importa muito que as pessoas tenham a melhor condição possível (para votar) (...) Mas não é só isso: acho que há eleitores do candidato Melo que no segundo turno podem estar abertos a uma mudança.

  • Você acha que consegue mudar esse voto então?

Sim, deve ser o nosso objetivo também.

  • Como?

Sensibilizando para as ideias e para as condições. O que toda cidade precisa é futuro. Agora, com tempos iguais, eu posso mostrar a cidade.

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  • A candidatura de Juliana esteve com partidos que são ideologicamente mais aliados a Melo, como PSDB e União Brasil. Você vai buscar esses partidos?

Pretendo conversar, até porque eu votei no governador Eduardo Leite (PSDB) no segundo turno, porque se tratava de um voto pela democracia. O governador Eduardo Leite sabe em quem o atual prefeito votou. Talvez agora ele possa fazer uma reflexão. Há momentos em que a gente tem que estar entre a democracia ou contra a democracia. Então, eu me sinto bem à vontade de ligar para o governador e conversar com ele sobre Porto Alegre.

  • Você é enfática ao dizer: segundo turno, nova eleição. Agora, qual a estratégia?

Estaremos de um lado apresentando o nosso programa de ação, construído desde a base e plural com a sociedade (...) De outro lado, a gente vai mostrar, porque essa é também a tarefa que eu tenho nesse momento, que nós temos uma perspectiva de futuro desse lado e com o atual prefeito nós temos apenas a continuidade.

  • Então o tempo a mais na propaganda de TV é a principal aposta para esse segundo turno?

Sim, porque nas ruas, ainda que ele tenha a máquina oficial da prefeitura, nós temos uma militância e uma gente muito empolgada, muito apaixonada por fazer a mudança em Porto Alegre.

  • O presidente Lula não veio no primeiro turno. Por que?

Porque Porto Alegre também é uma cidade que precisava de cuidado, não da presença dele. Ele esteve aqui várias vezes, mas nunca quis misturar e eu acho que é correto.

  • E ele vem no segundo turno?

Eu acredito que sim, vou trabalhar para isso. Mas, independentemente da decisão dele estar fisicamente ou não no Rio Grande do Sul, eu sou a candidata dele, ele é meu presidente, ele é o presidente do Brasil, eu conto com ele em tudo, converso com ele e vou mostrar isso em todos os lugares.

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