O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou recentemente o perfil dos eleitores aptos à votação para as Eleições de 2026. Entre os dados apresentados, está a faixa etária das pessoas. Mesmo que o voto seja facultativo para pessoas a partir dos 70 anos e dos 16 aos 17 anos, houve um aumento no número de eleitores na faixa dos 70 e queda entre os adolescentes no Rio Grande do Sul.
Conforme o TSE, em 2026, foram registradas 483.459 pessoas de 70 a 74 anos, 15,82% a mais do que na última eleição presidencial, realizada em 2022, com 417.393 pessoas. Dessas, 267.052 são mulheres (15,39% a mais do que no último pleito presidencial, que contou com 231.425), e 216.407 são homens (16,36% a mais do que em 2022, com 185.968).
Conforme o TSE, em 2026, foram registradas 483.459 pessoas de 70 a 74 anos, 15,82% a mais do que na última eleição presidencial, realizada em 2022, com 417.393 pessoas. Dessas, 267.052 são mulheres (15,39% a mais do que no último pleito presidencial, que contou com 231.425), e 216.407 são homens (16,36% a mais do que em 2022, com 185.968).
Foram registrados 347.437 idosos de 75 a 79 anos, 27,20% a mais do que em 2022, com 273.127 pessoas. Desses, 198.893 são mulheres (26,88% a mais do que na última eleição presidencial, que contou com 156.747), e 148.544 são homens (27,63% a mais do que em 2022, com 116.380).
Ainda conforme o TSE, em 2026, há 203.041 idosos de 80 a 84 anos, 23,96% a mais do que em 2022, com 163.791 pessoas. Desses, 121.030 são mulheres (23,02% a mais do que na última eleição presidencial, que contou com 98.382), e 82.011 são homens (25,07% a mais do que em 2022, quando havia 32.376).
Foram registrados 109.061 idosos de 85 a 89 anos, 20,78% a mais do que no último pleito presidencial, com 90.296 pessoas. Desses, 68.567 são mulheres (18,38% a mais do que em 2022, que contou com 57.920), e 40.494 são homens (25,07% a mais do que em 2022, com 32.376).
Neste ano, há 49.992 pessoas de 90 a 94 anos, 14,53% a mais do que em 2022, com 43.647 idosos. Dessas, 33.182 são mulheres (16,08% a mais do que na última eleição presidencial, que contou com 28.585), e 16.810 são homens (11,60% a mais do que em 2022, que registrou 15.062).
Foram registradas 23.947 pessoas de 95 a 99 anos em 2026, 1,89% a mais do que em 2022, com 23.501 idosos. Dessas, 14.952 são mulheres (12,10% a mais do que no último pleito presidencial, com 13.337), e 8.995 são homens (11,50% a menos do que em 2022, com 10.164).
Há, no Rio Grande do Sul, 21.022 pessoas com 100 anos ou mais, 144,29% a mais do que em 2022, com 8.605 pessoas. Dessas, 10.777 são mulheres (134,23% a mais do que em 2022, com 4.601), e 10.245 são homens (155,86% a mais do que em 2022, com 4.004).
Adolescentes
Em contrapartida, houve queda no número de eleitores adolescentes no estado. Neste ano, foram registrados 20.232 adolescentes de 16 anos aptos ao voto, 40,09% a menos do que em 2022, quando havia 30.695. Deles, 10.524 são mulheres (36,33% a menos do que no último pleito, com 17.567), e 9.708 são homens (26,05% a menos do que em 2022, quando havia 13.128).
Também se observou queda no número de eleitores com 17 anos. Em 2026, foram registrados 34.470 adolescentes aptos para votar, 30,15% a menos do que em 2022, quando havia 49.349. Deles, 17.504 são mulheres (36,33% a menos do que na última eleição presidencial, com 27.496), e 16.966 são homens (22,36% a menos do que em 2022, quando havia 21.853).
Tendência do último censo
O doutorando em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Fábio Hoffmann explica que os dados eleitorais refletem a tendência apontada pelo último censo sobre a mudança da pirâmide etária no Rio Grande do Sul, com o crescimento expressivo do eleitorado idoso e a redução acentuada do jovem.
Segundo Hoffmann, os dados eleitorais descortinam os desafios que a democracia vai enfrentar. “Com menos jovens se somando à população eleitoral, a tendência é que haja menor renovação, tanto de eleitores quanto de postulantes a representantes; há também uma menor pressão de renovação da agenda política, uma vez que a demanda geracional incidente possui menor peso.”
“Como o peso da população idosa vem crescendo, vamos acompanhar também uma mudança na plataforma eleitoral e em políticas públicas voltadas a esse grupo”, afirmou Hoffmann.
Em sua tese de doutorado, Hoffmann traz dados da Pesquisa Mundial de Valores (World Values Survey - WVS), que analisa a confiança dos brasileiros nas instituições e processos eleitorais. Segundo o estudo, a participação eleitoral entre os jovens de 16 a 24 anos caiu de 76% para 50% entre 2010 e 2022, e entre a população com mais de 65 anos caiu menos, de 80% para 75% no mesmo período, tanto em nível local quanto nacional.
“Olhando para os dados do Rio Grande do Sul, além de termos menos jovens entrando na população eleitoral, também precisamos enfrentar o fato de que eles estão indo menos às urnas. Isso mostra como políticas públicas de incentivo e conscientização do voto deverão estar cada vez mais presentes em programas institucionais dos tribunais eleitorais.”
Para o doutorando, os números apresentados estão antecipando o que ocorrerá em nível nacional em um futuro de médio prazo. “Fatores como envelhecimento populacional, queda da taxa de natalidade, maior longevidade e migração passarão a remodelar cada vez mais os dados eleitorais de municípios e estados.”
Segundo Hoffmann, os números mostram o impacto do processo de envelhecimento da população gaúcha sobre o eleitorado, tendência que deve marcar presença nos próximos pleitos. “Tal processo traz como consequência direta uma menor renovação do eleitorado gaúcho, com menor oxigenação geracional, o que pode impactar no ciclo de demandas políticas.”
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Participação democrática
Hoffmann explicou que os dois grupos possuem papéis diferentes, mas igualmente importantes no processo de legitimidade democrática. Segundo ele, os jovens representam a renovação do eleitorado e pressionam a classe política por demandas típicas de sua geração, o que acaba fazendo com que a agenda e a representação política também se renovem.
“A participação do público jovem possui outro aspecto importante, que é o da educação democrática, processo pelo qual a participação desse público é tanto pedagógica quanto de oxigenação da legitimidade do regime, uma vez que eles trazem apoio e confiança às instituições e aos processos democráticos”, apontou.
Conforme Hoffmann, o voto da população idosa mostra o grau de arraigamento dos valores democráticos nessa faixa. “São pessoas que passaram pelo processo de evacuamento do pluralismo político trazido pela Ditadura Militar, presenciaram a abertura e a volta do pluripartidarismo, viram os movimentos de massa pelo voto direto com a campanha das Diretas Já, e votaram diretamente em 1989 para Presidente da República.”
“Se permanecem indo às urnas, mesmo não sendo obrigatória a participação, entendem a importância do processo de escolha democrática e os impactos que ele traz para as suas vidas”, concluiu.
Eleitoras
A dona de casa Ivanir do Nascimento, de 77 anos, será uma das pessoas com mais de 70 anos que optaram por votar neste ano. “Voto pela força do hábito. Nem sempre a gente acerta, mas tem que votar em quem achamos melhor. Acho bem importante votar.”
A aluna da 2ª série do ensino médio do Colégio Farroupilha Martina Miranda Baliski, de 16 anos, escolheu votar este ano porque acredita que é necessário participar da escolha de quem decidirá o futuro do país. “Quero participar desse processo de maneira consciente, analisando e avaliando propostas e políticos com interesses reais em medidas efetivas para o país.”
Martina acredita que o voto é uma das únicas formas de mudar a realidade com a qual não concorda. “É a chance de reivindicar aquilo em que acreditamos.”
A também aluna da 2ª série do ensino médio do Colégio Farroupilha Valentina Tonini Ely, de 16 anos, afirmou que escolheu votar pois, desde pequena, os pais sempre conversavam com ela sobre política. “Foi algo presente na minha vida. E nas últimas eleições presidenciais de 2022, era meu sonho votar, mas não podia por questão de idade. Então, agora que tenho 16 anos, fico muito feliz por poder ajudar o meu país com meu voto.”
