Faltando apenas três dias para a realização do segundo turno das eleições presidenciais, o WhatsApp virou mais um campo de disputa entre as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Através dos canais administrados por aliados políticos, os dois lados mobilizam milhões de seguidores e os objetivos são claros: conquistar votos e ampliar a circulação de mensagens favoráveis aos candidatos. As informações são do portal R7.
Os principais exemplos são o “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), e a “Tropa do Flávio”, criada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Embora não sejam os canais oficiais dos presidenciáveis, os grupos concentram parte importante da mobilização digital das campanhas.
Para a assessora estratégica da Bites, empresa que analisa dados digitais, Daniela Alarcon, o crescimento representa uma mudança de cenário na disputa política nas plataformas de mensagens. Daniela recorda que o WhatsApp e o Telegram foram territórios dominados pelo espectro da direita, usando esses aplicativos para consolidar mobilização durante o governo de Jair Bolsonaro.
“Estamos testemunhando neste segundo turno um fenômeno inédito de organização digital e que, até por isso, gerou um fator inesperado pela campanha de Flávio”, diz a assessora.
Já para Alek Maracajá, especialista em inteligência digital e diretor da AtivaWeb DataLab, o tamanho dos canais não revela a dimensão real das redes políticas no WhatsApp. “O campo bolsonarista opera desde 2018 numa rede descentralizada de grupos, então, um canal menor não significa presença menor no WhatsApp”, explica.
"Exército do Lula" cresce
O “Exército do Lula” ultrapassou a marca de 7,7 milhões de seguidores nesta quarta-feira (21), enquanto a “Tropa do Flávio” reúne cerca de 2 milhões. Os canais oficiais dos presidenciáveis têm números menores. O de Lula conta com pouco mais de 2 milhões de seguidores, e o de Flávio, com pouco mais de 200 mil.
A diferença também aparece no ritmo de crescimento. Em 10 de outubro, o canal administrado por Janones tinha cerca de 3 milhões de seguidores. Dez dias depois, já havia superado os 7 milhões, mais que dobrando de tamanho em menos de duas semanas — o que faz parte da estratégia da campanha lulista de apostar em redes digitais.
Na avaliação de Daniela, o fato de o canal ser liderado por Janones, que não é filiado ao PT, também contribui para apresentar a mobilização como um movimento progressista mais amplo, capaz de atrair pessoas além da militância petista tradicional.
Já a “Tropa do Flávio”, criada posteriormente, está estabilizada na faixa de 2 milhões de seguidores por alcançar, principalmente, o núcleo mais engajado do bolsonarismo. Os dois canais adotam estratégias semelhantes. Os administradores publicam comandos, chamados de “missões”, que incentivam os seguidores a compartilhar conteúdos, abordar eleitores e manter determinados assuntos em circulação nas redes sociais.
“Seguidor não é voto!”
Para Maracajá, diretor da AtivaWeb DataLab, o número de inscritos não é suficiente para medir a influência dessas iniciativas sobre o eleitorado. “Seguidor não é voto”, afirma.
Segundo ele, é necessário avaliar também o engajamento, a circulação das mensagens em outras plataformas e a capacidade de influenciar pessoas que ainda não estão convencidas.
TSE barra proposta de limitar canais
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Kassio Nunes Marques, descartou apoiar uma proposta que prevê restrições a canais políticos no WhatsApp às vésperas do segundo turno das eleições. As informações são do Portal R7.
Uma minuta da medida, elaborada pelo ministro André Mendonça, foi discutida pelos integrantes da Corte na última terça-feira. O texto previa a suspensão temporária de canais com mais de 200 mil seguidores nas 48 horas anteriores à votação, com a restrição mantida até 24 horas depois.
A proposta foi debatida em meio à expansão do uso dessas ferramentas pelas campanhas e por grupos de apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Nunes Marques é contrário a mudanças nas regras eleitorais às vésperas da votação, segundo interlocutores.
