Segundo ele, a ida à sede do governo de Goiás ocorreu para apresentar um sistema de propaganda indoor ao governador. "Nem sequer fui atendido", disse. "Não ocorreu a fantasiosa entrega de dinheiro na praça", afirmou. "(As gravações) são montagens e a ordem dos diálogos não é a mesma. Percebi muitas modificações", destacou.
Wladimir está preso desde 29 de fevereiro, quando foi deflagrada a Operação Monte Carlo, que investigou a suposta organização criminosa comandada pelo empresário de jogo ilegais Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira. No inquérito, o ex-vereador é apontado como um dos principais colaboradores de Cachoeira, com o papel de facilitar as relações do grupo com agentes públicos.
O ex-vereador confirmou que era contratado pela empresa Delta Construção, suspeita de ligação com a organização investigada. Ele disse que trabalhava como assessor do então diretor regional da empresa no Centro-Oeste, Cláudio Abreu. Por esse trabalho, o ex-vereador recebia R$ 20 mil.
Wladimir também disse que recebia mensalmente de Carlinhos Cachoeira R$ 5 mil para assessorá-lo em sua empresa de medicamentos. O interesse tanto da Delta quanto do empresário Carlinhos Cachoeira no trabalho do ex-vereador, segundo seu depoimento, ocorreu pela proximidade que ele tinha ou aparentava ter com autoridades políticas em todas as esferas. Essas relações, segundo ele, foram construídas durante o tempo que foi vereador e presidente da Câmara Municipal de Goiânia. "Para me 'cacifar' eu demonstrava ter mais poder, mais força", contou.
Após ler o depoimento inicial, o ex-vereador evocou o direito de permanecer calado. Os deputados e senadores da CPI cogitaram encerrar a reunião. No entanto, o relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), insistiu em formular perguntas ao depoente e a sessão prosseguiu no Senado.
Ainda hoje estão previstos mais dois depoimentos, de Idalberto Matias de Araújo, conhecido como Dadá, e do jornalista Jairo Martins de Souza. Ambos trabalhavam para Cachoeira. Jairo está em liberdade e Dadá foi preso na Operação Monte Carlo. O advogado dos dois, Leonardo Gagno, disse que eles não devem responder a perguntas, assim como o alvo da CPI, que permaneceu calado durante sessão na terça-feira e irritou os parlamentares.
"Eles não vão falar, porque a matéria de prova está toda calcada em escutas telefônicas que nós sustentamos que são ilegais. Para seguir uma linha de defesa coerente, temos que nos manter em silêncio e exercer esse direito constitucional de não incorrer em autoincriminação. Isso serve para que eles possam preservar a defesa deles", disse o advogado.