Política

Em Goiânia, Dilma volta a defender seu mandato e critica Cunha

Presidente discursou durante inauguração de novo terminal do Aeroporto de Santa Genoveva

Presidente discursou durante inauguração de novo terminal do Aeroporto de Santa Genoveva em Goiânia
Presidente discursou durante inauguração de novo terminal do Aeroporto de Santa Genoveva em Goiânia Foto : Roberto Stuckert Filho / PR / CP
Em meio ao impacto da decisão do presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), que pediu a suspensão da votação do impeachment na Câmara, e à decisão do presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), que ignorou e manteve o processo na Casa, a presidente Dilma Rousseff usou mais um evento público para defender seu mandato, mas não citou especificamente o imbróglio do processo no Congresso.

Durante a cerimônia de inauguração do novo terminal do Aeroporto de Santa Genoveva em Goiânia, Dilma voltou a criticar o presidente afastado da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e disse que se os argumentos utilizados no processo que se fossem aplicados aos demais governantes, não haveria nenhum que ficasse impune. "Sobraria alguém neste País se aplicasse as regras aplicadas a mim para todos os gestores púbicos? Não sobraria ninguém. Não é crime. É golpe", declarou. 

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A presidente afirmou que os decretos de crédito suplementares foram feitos pelos seus antecessores e afirmou que quando citam a medida "fica parecendo que (os decretos) são para me beneficiar". "Eu não tenho conta no exterior, não recebi propina, não desviei dinheiro publico, então acharam seis decretos", disse.

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Ao falar sobre os problemas na economia, Dilma disse que "sem a menor sombra de dúvidas" a inflação vai intensificar a trajetória de queda. "É verdade, a gente enfrenta desafios na economia, mas a inflação está caindo. E a inflação chegará, sem sombra de dúvida, até o final do ano, muito próxima da meta", disse. "A inflação fechará o ano abaixo dos 7%."

Usurpadores

Em suas críticas a Cunha e ao vice-presidente Michel Temer, a presidente repetiu que houve chantagem por parte do então presidente da Câmara e garantiu que lutará "com todos os instrumentos democráticos e legais para impedir a interrupção usurpadora do meu mandato". Segundo ela, os que hoje estão aplicando o "golpe" contra o seu mandato são "os traidores e pessoas que não têm condições de se apresentar ao Brasil e se eleger." "A história também julgará os golpistas e usurpadores", afirmou.

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Antes de participar da cerimônia, Dilma fez uma vistoria no aeroporto e cumprimentou um pequeno grupo de mulheres que a aguardavam com faixas e cartazes com demonstração de apoio a petista. No salão do evento, a plateia recepcionou a presidente aos gritos de "Dilma, guerreira, da pátria brasileira"; "Não vai ter golpe" e "no meu País eu boto fé porque ele é governado por mulher".

Ao lado do ministro da Aviação Civil (SAC), Carlos Gabas, a presidente foi recepcionada pelo prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT). Durante diversos momentos a plateia repetiu os gritos de apoio. Dilma recebeu inclusive flores de três crianças. O prefeito endossou o discurso de que o impeachment é "golpe a democracia" e afirmou que a presidente é um "exemplo porque continua lutando". "A senhora é uma mulher que nunca fugiu a luta, que sempre enfrentou os desafios de cabeça erguida", afirmou. "A vida é assim: vencemos um desafio e outros aparecem."

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Dilma soube da decisão de Maranhão ainda em evento do Planalto nesta manhã. Ainda discursando, a presidente pediu calma nas comemorações porque a conjuntura atual é de "manhas e artimanhas". Ao dizer que era preciso "uma certa tranquilidade para lidar com isso", a presidente advertiu que "as coisas não se resolvem assim e ainda vai ter muita luta, muita disputa".

Logo depois, a presidente reuniu-se com o advogado Geral da União, José Eduardo Cardozo, e os ministros Jaques Wagner e Ricardo Berzoini para acompanhar os desdobramentos e decidir as estratégias do governo.

Aeroporto

De acordo com a Infraero, o aeroporto inaugurado por Dilma recebeu investimentos de R$ 467,4 milhões e deve entrar em operação assistida no dia 21 de maio. O prazo inicial era março. Com o novo terminal - que possui 34,1 mil m2 - o antigo terminal, que tem 7,57 mil m2, será desativado. Segundo Dilma, a capacidade do aeroporto será triplicada e chegará a mais de 9 milhões passageiros. No ano passado, segundo a Infraero, a demanda foi de 3,31 milhões de passageiros.

"Esse aeroporto leva em conta localização estratégica; tenho orgulho de ter olhado para infraestrutura", afirmou Dilma. As obras de mudança e ampliação do aeroporto, de responsabilidade do consórcio Via/Odebrecht, estavam paradas desde 2007 e foram retomadas em 2013.