Em meio ao impacto da decisão do presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), que pediu a suspensão da votação do impeachment na Câmara, e à decisão do presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), que ignorou e manteve o processo na Casa, a presidente Dilma Rousseff usou mais um evento público para defender seu mandato, mas não citou especificamente o imbróglio do processo no Congresso.
Durante a cerimônia de inauguração do novo terminal do Aeroporto de Santa Genoveva em Goiânia, Dilma voltou a criticar o presidente afastado da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e disse que se os argumentos utilizados no processo que se fossem aplicados aos demais governantes, não haveria nenhum que ficasse impune. "Sobraria alguém neste País se aplicasse as regras aplicadas a mim para todos os gestores púbicos? Não sobraria ninguém. Não é crime. É golpe", declarou.
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A presidente afirmou que os decretos de crédito suplementares foram feitos pelos seus antecessores e afirmou que quando citam a medida "fica parecendo que (os decretos) são para me beneficiar". "Eu não tenho conta no exterior, não recebi propina, não desviei dinheiro publico, então acharam seis decretos", disse.
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Ao falar sobre os problemas na economia, Dilma disse que "sem a menor sombra de dúvidas" a inflação vai intensificar a trajetória de queda. "É verdade, a gente enfrenta desafios na economia, mas a inflação está caindo. E a inflação chegará, sem sombra de dúvida, até o final do ano, muito próxima da meta", disse. "A inflação fechará o ano abaixo dos 7%."
Usurpadores
Em suas críticas a Cunha e ao vice-presidente Michel Temer, a presidente repetiu que houve chantagem por parte do então presidente da Câmara e garantiu que lutará "com todos os instrumentos democráticos e legais para impedir a interrupção usurpadora do meu mandato". Segundo ela, os que hoje estão aplicando o "golpe" contra o seu mandato são "os traidores e pessoas que não têm condições de se apresentar ao Brasil e se eleger." "A história também julgará os golpistas e usurpadores", afirmou.
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Antes de participar da cerimônia, Dilma fez uma vistoria no aeroporto e cumprimentou um pequeno grupo de mulheres que a aguardavam com faixas e cartazes com demonstração de apoio a petista. No salão do evento, a plateia recepcionou a presidente aos gritos de "Dilma, guerreira, da pátria brasileira"; "Não vai ter golpe" e "no meu País eu boto fé porque ele é governado por mulher".
Ao lado do ministro da Aviação Civil (SAC), Carlos Gabas, a presidente foi recepcionada pelo prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT). Durante diversos momentos a plateia repetiu os gritos de apoio. Dilma recebeu inclusive flores de três crianças. O prefeito endossou o discurso de que o impeachment é "golpe a democracia" e afirmou que a presidente é um "exemplo porque continua lutando". "A senhora é uma mulher que nunca fugiu a luta, que sempre enfrentou os desafios de cabeça erguida", afirmou. "A vida é assim: vencemos um desafio e outros aparecem."
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Dilma soube da decisão de Maranhão ainda em evento do Planalto nesta manhã. Ainda discursando, a presidente pediu calma nas comemorações porque a conjuntura atual é de "manhas e artimanhas". Ao dizer que era preciso "uma certa tranquilidade para lidar com isso", a presidente advertiu que "as coisas não se resolvem assim e ainda vai ter muita luta, muita disputa".
Logo depois, a presidente reuniu-se com o advogado Geral da União, José Eduardo Cardozo, e os ministros Jaques Wagner e Ricardo Berzoini para acompanhar os desdobramentos e decidir as estratégias do governo.
Aeroporto
De acordo com a Infraero, o aeroporto inaugurado por Dilma recebeu investimentos de R$ 467,4 milhões e deve entrar em operação assistida no dia 21 de maio. O prazo inicial era março. Com o novo terminal - que possui 34,1 mil m2 - o antigo terminal, que tem 7,57 mil m2, será desativado. Segundo Dilma, a capacidade do aeroporto será triplicada e chegará a mais de 9 milhões passageiros. No ano passado, segundo a Infraero, a demanda foi de 3,31 milhões de passageiros.
"Esse aeroporto leva em conta localização estratégica; tenho orgulho de ter olhado para infraestrutura", afirmou Dilma. As obras de mudança e ampliação do aeroporto, de responsabilidade do consórcio Via/Odebrecht, estavam paradas desde 2007 e foram retomadas em 2013.
Em Goiânia, Dilma volta a defender seu mandato e critica Cunha
Presidente discursou durante inauguração de novo terminal do Aeroporto de Santa Genoveva