Política

Em nota, Temer nega pagamento para obter o silêncio de Eduardo Cunha

Presidente defende a apuração de todas as denúncias, com a responsabilização dos eventuais envolvidos

Em nota, Temer nega pagamento para obter o silêncio de Eduardo Cunha
Em nota, Temer nega pagamento para obter o silêncio de Eduardo Cunha Foto : Beto Barata / PR / CP
Depois de uma hora e meia de reunião com seus principais ministros e assessores, o presidente Michel Temer distribuiu nota à imprensa, negando que tenha "participado ou autorizado" qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. De acordo com a delação, na noite de 7 de março, com um gravador no bolso, Joesley Batista, executivo do maior grupo processador de carne do mundo, teria chegado ao Palácio do Jaburu, onde o presidente o aguardava, segundo jornal O Globo.

Na nota, que é assinada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), o presidente Temer confirma que houve o encontro com o presidente da JBS, no Palácio do Jaburu, no começo de março, mas afirmou que "não houve no diálogo nada que comprometesse a conduta do presidente da República". Temer diz ainda que "defende ampla e profunda investigação para apurar todas as denúncias veiculadas pela imprensa, com a responsabilização dos eventuais envolvidos em quaisquer ilícitos que venham a ser comprovados".

Antes da divulgação da nota, Temer estava reunido, no Planalto, com os ministros da Casa Civil, Secretaria Geral da Presidência e da Secretaria de Governo, além do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, e diversos parlamentares. Maia, como presidente da Câmara, pode barrar o processo de impeachment. O senador Romero Jucá também participou da reunião.

Segundo fontes, no momento da divulgação da notícia, Temer estava em audiência com governadores do Nordeste. Temer teria ainda nesta quarta-feira, ma agenda com o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, mas que não foi realizada, conforme os avisos da assessoria de imprensa do Planalto. Segundo o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, Joesley Batista gravou Temer dando aval para "compra de silêncio" de Cunha.

NOTA À IMPRENSA

O presidente Michel Temer jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar.

O encontro com o empresário Joesley Batista ocorreu no começo de março, no Palácio do Jaburu, mas não houve no diálogo nada que comprometesse a conduta do presidente da República.

O presidente defende ampla e profunda investigação para apurar todas as denúncias veiculadas pela imprensa, com a responsabilização dos eventuais envolvidos em quaisquer ilícitos que venham a ser comprovados."