Política

Em São Paulo, Lula reitera inocência e “coceira” para se candidatar

Ex-presidente acusou judiciário e imprensa de pacto para evitar que ele volte ao Planalto

Lula discursou horas depois de sua pena ser aumentada pelo TRF4
Lula discursou horas depois de sua pena ser aumentada pelo TRF4 Foto : Nelson Almeida / AFP / CP
No seu primeiro pronunciamento público após a condenação no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a reiterar sua inocência no caso envolvendo um triplex no Guarujá. Condenado a 12 anos e um mês de prisão, ele reforçou o desejo de candidatar-se à Presidência da República em outubro – algo que poderá esbarrar na Lei da Ficha Limpa.

“Estou percebendo que tudo o que eles estão fazendo é para evitar que eu seja candidato. Esta provocação é tão grande, que me dá uma coceirinha: agora tenho vontade de ser candidato”, afirmou Lula, na Praça da República. “Eles podem me caçar, não tem problema. Eu quero disputar não é na caneta deles, é na consciência do povo brasileiro”, acrescentou ele, que desafiou: “Se me apresentarem o crime, eu desisto da candidatura”.

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Lula enfatizou em pelo menos dois momentos que é inocente. “Quero desafiar os três juízes que me julgaram a apresentar um único crime que eu tenha cometido”, ressaltou. Definindo suas acusações como “mentira”, o ex-presidente provocou: “Estou condenado por causa de um apartamento que não é meu. Se eles me condenarem, me deem pelo menos o apartamento”.

O líder petista, porém, afirmou que já esperava pela condenação. E acusou judiciário e imprensa de fazerem um pacto para acabar com o PT. “Eles já não admitiam mais a ascensão social das pessoas mais pobres do país.” Lula disse que o ato em São Paulo não era eleitoral: “Esse é um ato infinitamente maior: é um ato em defesa da soberania nacional, do Brasil”.

“Ideias já estão colocadas”

Em discurso eleitoral, o ex-presidente pediu para que não se preocupassem com ele, mas sim às mudanças implementadas pelo governo Temer – que não chegou a ser citado. “Quero que a gente tenha uma preocupação com o que a está acontecendo com 210 milhões de brasileiros, sobretudo aqueles que trabalham e vivem com salário neste país. Quero que vocês tenham clareza: tudo tende a piorar quando consagrarem a Reforma da Previdência”, discursou. “Quero que vocês saibam: O Fies está acabando, o ProUni está diminuindo, a massa salarial está diminuindo, o trabalho com carteira de trabalho assinada vai deixar de existir e vai só ter o trabalho intermitente. Coisas que conquistamos há 60 anos vão deixar de ser nossos direitos", disse. 

Ao longo do discurso, ele ainda citou Tiradentes e Nelson Mandela. Em seguida, pediu para que as pessoas lutassem pelos ideais: “Eles não podem perder o sonho de liberdade, as ideias, a esperança. O Lula é apenas um homem de carne e osso. Eles podem prender o Lula, mas as ideias já estão colocadas na cabeça da sociedade brasileira”.