Em um dos vídeos liberados pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, Mauro Cid conta qual foi a primeira vez que ouviu falar da Operação Punhal Verde Amarelo, nome dado ao plano golpista elaborado por militares para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi impresso no Palácio do Planalto, em novembro de 2022. A fala integra a delação do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, que teve sigilo retirado pelo ministro nesta quarta-feira, 19.
Cid conta sobre as reuniões das quais participou na casa do General Walter Braga Neto, que segundo Cid, tinha ligação com os manifestantes. Ele conta que tomou conhecimento do plano quando assumiria o Batalhão de Ações e Comandos de Goiânia, em uma reunião entre os dias 9 e 11 de novembro.
“Eu fui procurado pelo [Tenente-coronel Rafael Martins] de Oliveira e pelo [Tenente-coronel Hélio] Ferreira Lima, que são colegas de trabalho meu, entre 10 e 11 de novembro, em que eles expressavam indignação pelo o que estava acontecendo no país. Que alguma coisa tinha que ser feita, alguma mobilização de massa muito grande, que o Exército tinha que fazer alguma coisa, que o presidente não poderia se omitir, que os generais não poderiam se omitir e que eles estavam propostos a fazer alguma ação que gerasse alguma mobilização de massa, que pudesse causar um caos institucional”, detalha Cid.
Cid contou também que quando estava em uma das reuniões na casa de Braga Neto foi obrigado a deixar a reunião. “Não se tinha ideia do que fazer, nada específico ou detalhado do que fazer, e aí começaram ter algumas ideias, ‘vamos mobilizar os caminhoneiros, vamos bloquear estradas.’ Quando entrou no nível das ideias, o General Braga Neto interrompeu e disse: o Cid não pode participar, porque o Cid é muito próximo ao Bolsonaro”, contou o ex-ajudante de ordens do ex-presidente.
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Dinheiro em sacola de vinho
No mesmo trecho da delação, Cid conta ter recebido dinheiro entregue por Braga Netto. Ele relata que De Oliveira teria pedido que Cid solicitasse os recursos a Braga Netto. A primeira tentativa teria sido obter o dinheiro com o PL, sem sucesso.
“O Braga Netto disse que ia dar um jeito, tentar conseguir por outros caminhos. Uma ou duas semanas depois, Braga Netto me entrega dinheiro. Ele me entregou uma coisinha de vinho, um presente de vinho, com o dinheiro. Não contei, não sei quando era, porque estava grampeado. E passei o dinheiro para o De Oliveira. Foi a data em que o Oliveira esteve no [Palácio da] Alvorada.”