O governador José Ivo Sartori conversou com os representantes da Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul), Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do RS (Fecomércio-RS), Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) e Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL) a portas fechadas no Palácio Piratini na manhã desta quarta-feira. Contrários à proposta de aumento do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), os representantes do empresariado criticaram o governador.
O presidente da Fecomércio, Luiz Carlos Bohn, lamentou o fato de Sartori somente informar o aumento de impostos, sem pedir a opinião dos líderes empresariais. Segundo ele, o governador, até então, não tinha culpa sobre a situação financeira do Estado, mas, com essa medida, passa a ser responsável pelo aprofundamento da crise. Bohn lembrou ainda que Sartori prometeu não aumentar impostos durante a campanha eleitoral.
“O governador não nos consultou, disse que era uma decisão dele. Eu o adverti de que a digital dele agora está no problema que o Estado tem. Ele assume a responsabilidade por essa situação, inclusive de voltar atrás no que havia dito, que não aumentaria imposto”, afirmou o porta-voz dos comerciantes gaúcho.
Já o presidente da Fiergs, Heitor Müller, afirmou que a análise histórica das ações de aumento de impostos mostra que isso reduz o consumo, a produção e o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. Além disso, segundo o industrial, a medida gerará demissões.
“Nós últimos 20 anos, a arrecadação do Rio Grande do Sul – descontada a inflação – cresceu 145%. Nesse mesmo período, o PIB do Estado cresceu apenas 56%, e a indústria gaúcha cresceu 28%. O tamanho do Estado não cabe mais no PIB do Rio Grande do Sul. Temos que pensar em aumentar o PIB ou diminuir o tamanho do Estado”, disse o industrial.
O projeto deve ser enviado até esta quinta-feira pelo governador à Assembleia Legislativa. Pela proposta, o ICMS base passará de 17% para 18%, enquanto para os setores de telecomunicações, combustíveis e energia elétrica, o aumento seria de 25% para 30%.
Desde o início da semana, o governador realiza reuniões com deputados que integram sua base na Assembleia, seja em grupo, seja separadamente. Com exceção do PMDB, sigla do próprio governador, os demais partidos da base governista ainda apontam forte resistência à aprovação da medida.
Empresariado se reúne com Sartori e critica projeto de aumento de imposto
Projeto de aumento de ICMS deve ser enviado até esta quinta-feira à Assembleia Legislativa