O agora ex-ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Fábio Medina Osório, afirmou à Rádio Guaíba que sua demissão foi um ato político. Para ele, o governo federal não tem interesse no ajuizamento de ações de improbidade administrativa contra políticos e empreiteiras e que, por conta de seu trabalho nesta área, acabou sendo demitido do cargo, o que ocorreu ontem. “Fui alvejado no cargo por conta da minha atuação no âmbito da Operação Lava Jato.”
Osório acusou o ministro-chefe Eliseu Padilha de ter criado o clima que acabou culminando na sua demissão. Ele reclamou de ter sido “fritado” por conta de declarações e informações passadas à imprensa por Padilha, “que tem concentrado superpoderes na Casa Civil”.
“Saímos do cargo por alguns interesses contrariados e algumas iniciativas que nós adotamos na condição de advogado-geral da União, algumas ações para apurar desvios de empreiteras, políticas. Pelo exercício das atribuições da AGU”, afirmou Osório.
“Desde o primeiro momento que buscamos ajuizarmos ações de improbidade contra empreiteras e buscamos ressarcimento de quase R$ 12 bilhões no início da minha gestão, fui submetido a um processo difamatório constante e contínuo, espalhando notícias falsas”, criticou ele, citando o caso de que teria requerido um avião da FAB, ainda no início da gestão Michel Temer. “O ponto culminante disso foi quando buscamos os inquéritos da Lava-Jato, momento em que se chegou ao atrito com o ministro Eliseu Padilha”, concluiu Osório.
“Governo tenta confundir a opinião pública”
Ele se defendeu ao dizer que, enquanto esteve à frente da AGU, agiu conforme as atribuições do cargo. “Aqui estamos colocando um papel muito específico da AGU que diz que o ajuizamento de ações de improbidade administrativa e neste caso concreto inclusive nós atuamos de modo coordenado com o Ministério da Justiça, porque recebemos informações direto da Polícia Federal”, relatou. “A AGU tem atribuições legais e constitucionais muito específicas. Tem o dever de proteger o patrimônio público federal.”
“O governo tenta confundir a opinião pública. No caso, essas informações partem do ministro Eliseu Padilha para confundir a opinião pública”, acusou. “Esperemos que a sucessora não seja submetida a este processo para poder desenvolver este trabalho.”
Desfecho da Lava Jato é imprevisível
O caso que culminou a demissão, conforme Osório, foi que a AGU não teve acesso a um inquérito da Operação Lava Jato. “Recebemos um ofício da Polícia Federal para acessar um inquérito da Lava Jato e buscar na esfera cível o ressarcimento ao erário com ações de improbidade. No entanto, fomos impedidos até o momento de acessar esses inquéritos”, afirmou. Segundo ele, o acesso foi deferido pelo ministro do STF, Teori Zavascki.
Para Osório, a Lava Jato segue com desfecho indecifrável, podendo ou não atingir a alta cúpula do atual governo. “São muitas delações, conforme divulgado na mídia, em andamento”, salientou. “Os desdobramentos são imprevisíveis, não se sabem os personagens que estarão envolvidos.”
Ex-AGU, Osório critica governo e acusa Eliseu Padilha de confundir opinião pública
“Fui alvejado no cargo por conta da minha atuação no âmbito da Operação Lava Jato”