Política

Ex-diretora do Banco Rural foi denunciada pelo cargo que ocupou, diz defesa

Antonio Cláudio Mariz de Oliveira foi o terceiro advogado a falar no STF

Advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira defende ré Ayanna Tenório, durante julgamento do mensalão no STF
Advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira defende ré Ayanna Tenório, durante julgamento do mensalão no STF Foto : José Cruz / ABr / CP
A defesa da ex-diretora do Banco Rural Ayanna Tenório destacou em sua exposição durante o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF) na tarde desta quarta-feira que ela não atuava na área financeira do banco. O advogado Antonio Cláudio Mariz de Oliveira disse que ela só entrou no banco em abril de 2004, após a concessão dos empréstimos que alimentaram o esquema do mensalão, e que a formação dela era na área de recursos humanos. Para ele, Ayanna foi incluída na denúncia apenas pelo cargo que ocupou. "Ayanna está sendo responsabilizada pelo organograma. É responsabilidade de papel, não de conduta. Rigorosamente não há nada mais do que isso", afirmou.

Mariz destacou que a única reunião de renovação de empréstimos que ela participou foi dois meses após a sua entrada no Rural e que ela teria apenas acompanhado os colegas. Destacou ainda que o próprio Ministério Público reduziu de 65 para três as acusações de lavagem de dinheiro. Ele destacou que essas três ações são saques em espécie, dos quais ela não tinha conhecimento. Enfatizou que não haveria nos autos nenhuma acusação direta de conduta delituosa de Ayanna. Classificou a acusação de "kafkaniana", em referência à obra de Franz Kafka na qual uma pessoa é condenada sem saber a acusação.

O advogado concluiu pedindo a absolvição para minimizar o sofrimento de sua cliente. "Encerro pedindo que absolvam Ayanna Tenório. Acho que o sofrimento é indelével. A pena da execração pública é perpetua e cruel, mas a absolvição minimizará seu sofrimento e dará a ela condições de voltar ao mercado de trabalho, visto que ela hoje conta com sua consultoria sobrevivendo quase que à míngua". Ayanna Tenório responde por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Assista a transmissão ao vivo da sessão no STF pela TV Justiça:



Outra defesa que deve ocorrer nesta quarta-feira no plenário do STF é a do deputado petista João Paulo Cunha (PT-SP), único dos denunciados que vai disputar as eleições municipais de outubro. Uma das acusações contra ele é de que ele teria recebido R$ 50 mil do "valerioduto" para contratar uma das agências de Marcos Valério quando presidia a Câmara. Ainda no início da disputa pela Prefeitura de Osasco (SP), Cunha afirmou que não deixaria de discutir o processo durante a campanha. Ele responde por lavagem de dinheiro, corrupção passiva e peculato e será defendido pelo criminalista Alberto Toron.

A última defesa prevista é a do ex-ministro de Comunicação Luiz Gushiken. De acordo com a acusação, ele teria autorizado um ex-diretor do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, a adiantar pagamentos da Visanet (fundo privado do qual o Banco do Brasil é um dos acionistas) para uma das empresas de Marcos Valério. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, no entanto, pediu sua absolvição por não haver elementos ou indícios que justificassem a condenação. Ele será defendido por José Roberto Leal de Carvalho, que reforçará o argumento de que seu cliente é inocente da acusação de peculato.

O mensalão

O mensalão foi o maior escândalo político do governo Lula. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), trata-se de um esquema montado no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comprar apoio de parlamentares e saldar dívidas de campanha com dinheiro não contabilizado, o chamado caixa 2. A acusação entende que pelo menos quatro partidos – PT, PP, PL (hoje PR) e PTB – foram beneficiados com o esquema, além da contrapartida para empresários e funcionários de instituições financeiras.

Trinta e oito nomes são réus do processo do mensalão. Os ministros do STF se esforçam para que o caso seja julgado por todos, uma vez que em setembro o ministro Cezar Peluso completa 70 anos e se aposenta da magistratura.

Com informações da Agência Estado e Agência Brasil

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