O advogado Leonardo Yarochewsky, defensor da ex-diretora financeira da empresa de publicidade SMP&B Simone Vasconcelos, argumentou na tribuna do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira, que sua cliente deveria figurar apenas como testemunha no processo do mensalão, julgado pela Corte. A SMP&B era a empresa de Marcos Valério que tomava os empréstimos para repassar os recursos aos parlamentares, com o objetivo de que eles votassem em projetos de interesse do governo no Congresso Nacional. Na acusação apresentada pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ela e Geiza Dias, ambas funcionárias de Valério, realizavam saques e faziam a entrega do dinheiro ilícito aos parlamentares.
A denúncia aponta ainda que eram elas que repassavam ao Banco Rural o nome das pessoas que deveriam ser beneficiadas por repasses de verbas que alimentavam o esquema ilícito de compra de votos. "Simone Vasconcelos deveria figurar como testemunha deste processo porque o depoimento dela foi citado, quando do oferecimento da denúncia, por oito vezes. Nas alegações finais, por 11 vezes a acusação faz referência a Simone Vasconcelos. Isto porque muito do que o acusador estatal (o procurador-geral) sustenta é baseado nas palavras de Simone, que, em todo momento que foi ouvida, traz a mesma versão, com transparência e integridade”, alegou o advogado. Ele disse ainda que sua cliente, em momento algum, negou que entregou várias quantias de dinheiro para parlamentares a mando de Marcos Valério. “Ela não sabia quem eram esses parlamentares.”
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O próximo a sustentar a defesa é advogado defensor de Geiza Dias dos Santos, ex-gerente financeira da SMPB. Ainda há a defesa de Kátia Rabello, ex-presidente do Banco Rural. Os defensores terão até uma hora para falar na tribuna. Entre os réus que serão defendidos hoje, o empresário Cristiano Paz responde por corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas. O advogado Rogério Tolentino responde por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e corrupção ativa. A ex-diretora financeira da SMPB, Simone Vasconcelos, e a ex-gerente financeira da mesma empresa de publicidade, Geiza Dias dos Santos, respondem por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas e corrupção ativa. A ex-presidente do Banco Rural, Kátia Rabello, responde por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas.
O mensalão
O mensalão foi o maior escândalo político do governo Lula. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), trata-se de um esquema montado no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comprar apoio de parlamentares e saldar dívidas de campanha com dinheiro não contabilizado, o chamado caixa 2. A acusação entende que pelo menos quatro partidos – PT, PP, PL (hoje PR) e PTB – foram beneficiados com o esquema, além da contrapartida para empresários e funcionários de instituições financeiras.
Trinta e oito nomes são réus do processo do mensalão. Os ministros do STF se esforçam para que o caso seja julgado por todos, uma vez que em setembro o ministro Cezar Peluso completa 70 anos e se aposenta da magistratura.
Com informações da Agência Brasil
Ex-diretora financeira da SMP&B deveria ser testemunha, defende advogado
Leonardo Yarochewsky foi o terceiro defensor a falar no STF